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domingo, 3 de maio de 2026

Brasil defende que destino da Síria não sofra interferência estrangeira

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22/01/2014 16h39 – Atualizado em 22/01/2014 16h39

Fonte: RBA

São Paulo – A interferência externa foi o tema central dos debates na abertura da Conferência de Paz para a Síria, na Suíça. Entre os 39 países convidados, alguns, entre eles o Brasil, se colocaram contra a ingerência em temas que devem ser definidos pelos sírios, fazendo menção especial ao fornecimento de armas e dinheiro aos lados envolvidos na guerra civil, que já dura quase três anos e deixou 130 mil mortos, além de provocar a fuga de milhões de pessoas.

“Não pode haver uma solução para o conflito se as partes que se enfrentam continuam recebendo recursos financeiros e armas a partir do estrangeiro”, acusou o secretário-geral das Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Eduardo dos Santos, em uma referência tanto a Arábia Saudita e Catar, que colaboram com os opositores do governo, como ao Irã, suspeito de ajudar Bashar al-Assad.

“Só as negociações podem levá-los a um compromisso aceitável que conduza a uma paz substancial”, afirmou Eduardo dos Santos. Ele cobrou as partes a iniciar um “diálogo urgente e indispensável” para poder avançar em uma “reconciliação nacional” que ponha fim à violência e aos abusos dos direitos humanos.

O secretário-geral das Relações Exteriores do Brasil pediu ainda que a transição política seja conduzida “unicamente por sírios” para cumprir com as legítimas aspirações de seu povo, “sem intervenção estrangeira nem a militarização do conflito”. “Esta conferência precisa impulsionar o processo sírio com o apoio da comunidade internacional, o que não é o mesmo que um processo internacional que conte com a participação dos sírios”, ressaltou.

Mais cedo, o chanceler sírio, Walid al Muallem, afirmou que ninguém tem o direito de tirar a legitimidade da Constituição, do presidente ou da lei de seu país. Foi uma resposta às declarações do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que havia dito que Bashar al-Assad não pode ter qualquer participação em um governo de transição.

“Somente os sírios podem decidir quem é seu presidente”, reforçou o ministro das Relações Exteriores sírio a Kerry. “Eu e o povo da Síria lamentamos que a esta mesa, junto conosco, estejam sentados os representantes dos países que têm as mãos manchadas de sangue do povo sírio, os países que têm exportado o terrorismo, justificando sua atuação porque seu Deus lhes teria dado um direito de enviar essa pessoa para o inferno e aquela para o paraíso.”

A tensão entre Estados Unidos e opositores de Assad, de um lado, e do governo sírio, de outro, foi a principal deste primeiro dia de conferência. Esta é a primeira vez que o presidente aceita participar de uma negociação em que a oposição interna é vista como um interlocutor legítimo. A transição política parece objetivo difícil de alcançar, mas existe a expectativa de avançar em outros pontos para tentar colocar fim à guerra e garantir a libertação de prisioneiros.

O discurso do ministro foi emblemático do ponto de vista das dificuldades de se chegar a um acordo. Muallem negou a existência de uma “oposição moderada” e acusou os membros do Exército Livre da Síria de serem “mercenários, que sequestram civis em troca de resgates, extorquem os pobres e os usam como escudos humanos”. “Tudo isto se faz com as armas fornecidas por países representados aqui, que apoiam supostos grupos moderados”, disse o chefe da delegação síria.

Ele chegou a protagonizar uma leve discussão com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que o interrompeu quando seu discurso já durava mais de 20 minutos e pediu para encerrá-lo. Muallem se negou dizendo tinha feito uma longa viagem em avião, de doze horas, e pediu mais tempo, mas Ban Ki-moon respondeu afirmando que sua atitude não era construtiva.

De outro lado, a Coalizão Nacional Síria (CNFROS), a aliança que representa a oposição no processo de paz, pediu que o governo assine um compromisso para aceitar as negociações destinadas a formar um governo transitório. “Queremos saber se temos um interlocutor nesta sala e, neste caso, pedimos que assinem o Comunicado de Genebra que estabelece que todas as competências de Assad (Bashar al Assad, presidente sírio), executivas, militares e jurídicas, devem ser transferidas para um órgão transitório de governo”, disse o presidente da CNFROS, Ahmad Yarba.

O dirigente opositor considerou que este é o principal resultado que deve ser esperado da conferência de paz para a Síria: “colocar de lado Assad e todos os símbolos de seu regime”. Diante das delegações presentes no centro de conferências de Montreux, Yarba lembrou que o documento também pede o fim das hostilidades. O Comunicado de Genebra foi estipulado há um ano e meio pelos Estados Unidos e Rússia, com o respaldo da ONU.

Além disso, o presidente da CNFROS disse que não podem existir negociações sérias sem resolver questões fundamentais desse tipo e sem um calendário rígido, o que deve ser definido “nesta primeira rodada” negociadora.

Os debates na Suíça foram abertos em alta temperatura, com acusações entre governo e oposição sírios

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