29/01/2014 14h45 – Atualizado em 29/01/2014 14h45
Semana de Combate à Hanseníase iniciou no último sábado (24); em Amambai, será em março
Fonte: Da Redação
É comemorado durante esta semana o Dia Mundial do Hanseniano, onde o Governo do Estado realiza diversos programas e projetos em prol dos portadores da doença. Em Amambai, o mês de março é marcado no calendário municipal para as atividades anuais que envolvem o atendimento tanto da hanseníase quanto da tuberculose.
De acordo com a coordenadora municipal da Vigilância Epidemiológica, Rosalinda Rodrigues, no ano de 2013, apenas três casos foram notificados e passaram por todo o acompanhamento necessário em busca da cura.
Em 2014, até o dia de hoje, nenhum caso foi notificado. “Nós realizamos acompanhamento de enfermeiras, médicos e fisioterapeuta, fornecemos medicamentos gratuitamente e todos os cuidados necessários”, afirma à coordenadora.
No mês de março serão realizadas ações de educação em saúde e de mobilização social, como palestras, panfletagem, vídeos sobre a doença, orientação nas unidades de saúde e demais serviços, entre eles peças teatrais, depoimentos de pacientes e rodas de conversas.
Os casos de hanseníase no Brasil reduziram em 26% nos últimos dez anos. A divulgação é um dos destaques do estudo Saúde Brasil 2011, apresentado durante a 12ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), realizado pelo Ministério da Saúde.
A publicação também mostra que o número de novos casos de hanseníase em menores de 15 anos caiu 32% no mesmo período. Em 2011, foram registrados 2.420 casos e um coeficiente de detecção de 5,2 por 100 mil habitantes. Em 2001, o coeficiente era de 6,96.
A doença:
A hanseníase, conhecida oficialmente por este nome desde 1976, é uma das doenças mais antigas na história da medicina. É causada pelo bacilo de Hansen, o Mycobacterium leprae: um parasita que ataca a pele e nervos periféricos, mas pode afetar outros órgãos como o fígado, os testículos e os olhos. Não é, portanto, hereditária.
Com período de incubação que varia entre três e cinco anos, sua primeira manifestação consiste no aparecimento de manchas dormentes, de cor avermelhada ou esbranquiçada, em qualquer região do corpo. Placas, caroços, inchaço, fraqueza muscular e dor nas articulações podem ser outros sintomas.
Com o avanço da doença, o número de manchas ou o tamanho das já existentes aumenta e os nervos ficam comprometidos, podendo causar deformações em regiões, como nariz e dedos, e impedir determinados movimentos, como abrir e fechar as mãos. Além disso, pode permitir que determinados acidentes ocorram em razão da falta de sensibilidade nessas regiões.
O diagnóstico consiste, principalmente, na avaliação clínica: aplicação de testes de sensibilidade, força motora e palpação dos nervos dos braços, pernas e olhos. Exames laboratoriais, como biópsia, podem ser necessários.
Esta doença é capaz de contaminar outras pessoas pelas vias respiratórias, caso o portador não esteja sendo tratado. Entretanto, segundo a Organização Mundial de Saúde, a maioria das pessoas é resistente ao bacilo e não a desenvolve. Aproximadamente 95% dos parasitas são eliminados na primeira dose do tratamento, já sendo incapaz de transmiti-los a outras pessoas. Este dura até aproximadamente um ano e o paciente pode ser completamente curado, desde que siga corretamente os cuidados necessários. Assim, buscar auxílio médico é a melhor forma de evitar a evolução da doença e a contaminação de outras pessoas.
O tratamento e distribuição de remédios são gratuitos e, ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, em face do estigma que esta doença tem, não é necessário o isolamento do paciente. Aliás, a presença de amigos e familiares é fundamental para sua cura.
Durante este tempo, o hanseniano pode desenvolver suas atividades normais, sem restrições. Entretanto, reações adversas ao medicamento podem ocorrer e, nestes casos, é necessário buscar auxílio médico.
Importante saber:
Segundo a OMS, nosso país é líder mundial em prevalência da hanseníase. Em 1991, foi assinado pelo governo brasileiro um termo de compromisso mundial, comprometendo-se a eliminar esta doença até 2010. Entretanto, a cada ano, há mais de quarenta mil novos casos tendo, entre eles, vários indivíduos em situação de deformidade irreversível.
“Lepra”, designação antiga desta doença, era o nome dado a doenças da pele em geral, como psoríase, eczema e a própria hanseníase. Devido ao estigma dado a esta denominação e também ao fato de que hoje, com o avanço da medicina, há nomes apropriados para cada uma destas dermatoses, este termo deixou de ser utilizado (ou, pelo menos, deveria ter sido).




