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domingo, 3 de maio de 2026

Venezuela continua subindo tom contra EUA enquanto tenta controlar protestos

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15/03/2014 09h18 – Atualizado em 15/03/2014 09h18

Caracas e Washington continuam trocando farpas sobre manifestações no país. Jaua reafirma soberania venezuela e Kerry diz que haverá sanções. EUA querem financiar oposição

Fonte: Rede Brasil Atual

São Paulo – Autoridades venezuelanas continuam subindo o tom contra os Estados Unidos enquanto tentam controlar protestos contra o governo, iniciados em 12 de fevereiro. O chanceler do país, Elías Jaua, responsabilizou nesta sexta-feira (14) seu par norte-americano, John Kerry, pela continuidade das manifestações violentas. Para Jaua, o secretário de Estado é o “principal encorajador” dos confrontos políticos na Venezuela. De acordo com números oficiais, choques entre opositores, policiais e apoiadores do governo de Nicolás Maduro já deixaram 28 mortos e mais de 350 feridos.

“Não vamos baixar o tom, denunciamos o senhor como assassino do povo venezuelano, senhor Kerry, não vamos descer o tom a nenhum império até que os senhores ordenem a seus lacaios na Venezuela acabar com a violência contra o povo”, afirmou o chanceler durante ato em homenagem ao falecido comandante Hugo Chávez, de quem foi vice-presidente. “A cada vez que estamos a ponto de isolar e reduzir os manifestantes violentos, o senhor Kerry aparece e imediatamente voltam a surgir as barricadas nos principais focos da violência.”

A cidade de Valência, no noroeste do país, amanheceu militarizada quinta-feira (13) depois de uma quarta-feira marcada pela violência fratricida. De acordo com o jornal espanhol El País, a capital do estado de Carabobo e terceira maior cidade do país registrou três mortos e 15 feridos na jornada. As vítimas foram um capitão da Guarda Nacional Bolivariana, atingido por um tiro nas costas, e dois civis: um estudante e um esportista, cujos disparos, segundo opositores, teriam sido obra de motoqueiros simpáticos ao governo. As autoridades, por sua vez, afirmam que as mortes foram provocadas por franco-atiradores.

Os Estados Unidos responderam hoje mesmo as acusações de Jaua. A porta-voz do Departamento de Estado, Marie Harf, diria a jornalistas que o governo da Venezuela “falta descaradamente com a verdade” quando trata de responsabilizá-los pelos protestos em seu país. Harf ressaltou ainda que Washington não descarta nenhuma “opção” para responder a essa situação, inclusive sanções. “Os funcionários na Venezuela que tratam de fazer com que isto (os protestos no país) gire em torno de Estados Unidos estão faltando descaradamente com a verdade sobre o que está acontecendo ali”, disse.

As declarações de Elías Jaua vieram em resposta às afirmações feitas por John Kerry. Segundo o secretário de Estado, Washington continua se esforçando diplomaticamente para conseguir que Nicolás Maduro pare com o que os Estados Unidos classificam como uma “campanha de terror contra seu próprio povo”. Na quarta-feira (12), Kerry indicou que os Estados Unidos se reservam o direito de impor sanções à Venezuela ou invocar a Carta Democrática Interamericana da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Washington, porém, não conta com o apoio dos demais países da região em sua tentativa de isolar o regime chavista. Jaua lembrou que realizou um périplo por vários países do continente e que esteve na reunião de chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul), em Santiago, no Chile. E destacou o apoio internacional a Maduro. Disse ainda que China e Rússia, aliados de primeira hora do ex-presidente Hugo Chávez, respaldam a soberania e a democracia da Venezuela. A OEA também se mantém ao lado do governo.

Apesar de estarem isolados, parlamentares norte-americanos apresentaram ao Congresso nesta quinta dois projetos de lei que buscam impor sanções à administração chavista na Venezuela e destinar US$ 15 milhões para “defesa dos direitos humanos na Venezuela, a proteção dos veículos de comunicação independentes e o fortalecimento da sociedade civil em defesa dos valores democráticos no país”.

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, afirmou que esse dinheiro será na realidade usado para financiar ações violentas. E lembrou que a legislação venezuelana proíbe o financiamento externo do ativismo político. “Na Venezuela é proibido o financiamento para fazer política interna, que é particular dos venezuelanos. Puniremos os que receberem financiamento de governos estrangeiros para fazer política interna”, advertiu.

Com informações da Efe, El País e New York Times

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