08/05/2014 14h06 – Atualizado em 08/05/2014 14h06
Juiz Odilon de Oliveira faz palestra sobre “Família, Drogas e Escola”, em Amambai
A palestra reuniu autoridades, servidores e alunos do município
Fonte: Da Redação
Amambai (MS) – Foi realizada na manhã desta sexta-feira (9) uma palestra com o juiz federal, Odilon de Oliveira, que escoltado por policiais federais, esteve no município desenvolvendo o tema “Famíla, Drogas e Escola”. Autoridades do município e do estado, funcionários públicos, alunos das escolas do município e membros da comunidade estiveram presentes no evento, realizado no salão de eventos do Alphaville Clube. O evento foi promovido pela prefeitura de Amambai, através da secretaria municicipal de Educação.
O Juiz primeiramente agradeceu a presença de todos e ao convite, além de elogiar o prefeito pela dificuldade enfrentada hoje em dia pelos prefeitos das cidades fronteiriças, devido ao elevado indíce de tráfico de drogas na região.
“A atitude de vocês de me convidar serve de incentivo e motivação para que os pais e educadores encontrem o caminho ideal contra a epidemia do memento, que são as drogas”, disse o juiz.
O vereador Carlos Roberto do Nascimento, Carlinhos, que no ato representou o presidente da Câmara Municipal de Amambai, disse que é uma satisfação receber no município a palestra que trata de assunto reelevante e presente na vida das pessoas, que moram nos municípios fronteiriços. “A droga é algo nefasto que entra em nossas vidas de uma maneira muito sorrateira e quando percebemos todos já estão envolvidos, nós temos a sorte de ter em nosso estado um combatente desse feito como o Dr. Odilon”, diz o vereador.
O prefeito municipal, Sérgio Barbosa, destacou a presença do juiz e a importância do tema ser debatido junto ao público formado por estudantes. “Todos aqui vieram para ouvir sua experiência de vida profissional combatendo a proliferação das drogas – que parece uma luta perdida, mas o senhor veio mostrar que não podemos desistir”, ressalta o prefeito.
Segundo o Juiz, um dos desafios da escola nos dias atuais é enfrentar a epidemia das drogas, pois, o Brasil está se transformando em uma cracolândia e o aumento da violência nas escolas está interligado a esse problema.
“Com esta campanha queremos mostrar o papel da família, da escola e das igrejas, neste cenário”, afirma Odilon.
Ele relata que o consumo de drogas cresce de maneira incontrolável e que o Brasil ocupa o 2º lugar no mundo, no consumo de cocaína e o 4º lugar, no consumo de drogas injetáveis, além de ter cerca de 235 mil usuários de crack, com idade inferior a 18 anos; 140 mil crianças usuárias de cocaína e mais de 800 mil, usuários de maconha.
Segundo ele, 27% da classe carcerária foi presa por uso ou trafico de drogas. “Só no Mato Grosso do Sul, 43% foram apreendidos pelo crime e, se existe o trafico de drogas, logicamente, existe o uso e a violência”, destaca.
Outras problemas apresentados pelo juiz foram às mortes por AIDS, segundo ele, 26.000 pessoas morreram pela doença que foi transmitida pelo uso de seringas contaminadas. “Entre 10 pessoas com AIDS, uma delas pegou a doença pelo uso de drogas injetáveis”, conta Odilon.
O desempenho da polícia também é alvo de Odilon, principalmente, da esfera federal, ele afirma que apenas 13,7% dos policiais federais são destinados às faixas de fronteiras e acabam como culpados por não suprirem a demanda de casos de drogas encontrados.
A falta de políticas públicas para o tratamento de pessoas viciadas é enfocada pelo palestrante como responsável pelo grande número de pessoas não recuperadas do uso de drogas. “ Não existem locais apropriados para tratar um viciado. Quem tem que cuidar de viciado é a área da saúde e não a polícia”, diz.
Citando dados estatísticos, Odilon afirma que apenas 3,5% do PIB são investidos na saúde pública do país e que o necessário seria de 6 a 7%.
“Cerca de 437 mil homicídios por ano, continua Odilon, 50 mil apenas no Brasil e a maioria dentro do próprio lar e dentre estes, 8% são contra menores de 18 anos”. Ele acrescenta, ainda, que a cada dez minutos acontece um assassinato, que a cada 30 horas no Brasil há um estupro e que 85% da comercialização de pessoas é para exploração sexual.
“Se diminuir a droga, haverá uma redução dos homicídios, além de outros crimes, como os furtos”, lembra.
A escola, segundo o Juiz, também precisa se prevenir, pois 17 ou 18% dos jovens compram drogas dentro dos institutos de ensino. Assim como dentro de casa, ele diz que se não houver um lugar onde o adolescente pode receber um abraço ele irá procurar um outro lugar e este lugar pode ser as drogas.
“O Neymar é um ídolo para quem gosta de futebol, bem como para os filhos, os pais são ídolos, se o Neymar faz algo mesmo errado, para seus fãs, aquilo está certo, assim é com os pais, o que estes fazem refletem nos filhos”, ilustra ele.
Entre os métodos para se livrar a epidemia, Odilon inclui o dialogo entre as famílias e entrega do coração a Deus que, segundo ele, independente de religião, pode preencher um vazio que também pode ser preenchido pelas drogas.
Estiveram presentes, prestigiando a palestra, o prefeito municipal de Amambai, Sérgio Barbosa; a deputada estadual, Mara Caseiro; os vereadores Carlos Nascimento, Ilzo Vitor e Fernando Fischer; a secretária municipal de Educação, Vera Lorenzetti; o secretário de Governo, Odil Puques; o secretário de Indústria e Comércio, Rodrigo Selhorst; o presidente da Fundesc (Fundação de Desporto e Cultura), Elton Marques; o secretário de Habitação, Josué de Barros; comandante do 2º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros de Amambai, Romiran Oliveira Cerqueira e membros da comunidade escolar do município.




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