19/05/2014 13h47 – Atualizado em 19/05/2014 13h47
Fonte: Correio do Estado
A safra de soja 2013/2014 em Mato Grosso do Sul foi caracterizada, principalmente, pela instabilidade climática. As regiões de Caarapó e Amambai foram as mais prejudicadas por seca e granizo. Os dados foram divulgados pela Fundação MS, durante a apresentação de resultados de pesquisas sobre a safra de soja 2013/2014. De acordo com a entidade, foram conduzidos 23 ensaios de avaliação de cultivares de soja.
Os resultados mostraram melhores condições climáticas em São Gabriel do Oeste, Campo Grande, Maracaju e Sidrolândia. “O ano foi favorável para altas produtividades nessas regiões”, ressalta o pesquisador de fitotecnia da soja, Carlos Pitol. Em Maracaju, por exemplo, os sojicultores que iniciaram o plantio em 11 de outubro de 2013 conseguiram colher até 81,3 sacas por hectare (sc/ ha) de soja convencional, neste caso, a BRS 284.
A variedade em questão, apesar de não ser tão nova no mercado, é citada por conta de sua boa produtividade em algumas propriedades do Estado. Ela apresenta crescimento indeterminado e, por ter um ciclo mais rápido, viabiliza a semeadura do milho safrinha, além de ser resistente a seca e ao nematóide de galha, conhecido como Meloidogyne javanica.
Cultivares de soja intacta também foram destaque nas pesquisas. Com ciclos que podem variar de 97 a 106 dias, as variedades que apresentam tal tecnologia chegaram a render de 70 a 74,5 sc/ em Campo Grande. Da mesma forma, exemplares de soja geneticamente modificada renderam bons resultados na região central do Estado, com uma média de 67 sc/ha.
Apesar de a soja ser conhecida como uma cultura tolerante à seca, algumas perdas de produção são significativas quando há falta de umidade no solo. “Principalmente na região Centro-Sul, onde o clima se caracteriza com frequentes veranicos e estiagens, a cultura pode ter sua produtividade comprometida. Por isso a importância do plantio direto”, avalia Pitol.
Plantio direto sempre beneficia
De acordo com o pesquisador, o plantio direto contribui para aumentar a infiltração da água no solo, a concentração de matéria orgânica, aumentando a fertilidade da terra e, com isso, elevando a produtividade. “A técnica possibilita ainda a fixação de carbono no solo e traz melhorias nas questões ambientais, com redução do uso de insumos, economia no uso de fertilizantes e diminuição no assoreamento de rios”, salienta.
Custos para produzir
Durante a safra 2013/2014, o custo de produção da soja convencional foi menor que o da transgênica, mesmo com a redução de aplicações de herbicidas nos
sistemas. No entanto, em comparação com a safra 2012/2013, a convencional e a transgênica apresentam custos maiores, 7% e 11% respectivamente. Desta forma, as projeções indicam que o produtor deverá produzir 3 sc/ha a mais da oleaginosa convencional e 4,83 sc/ha das transgênicas para cobrir os gastos com a produção.
Circuito de palestras
A Fundação MS continua com as apresentações de resultados de pesquisas em outros municípios ao longo do mês, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MS). Receberão as palestras as cidades de Maracaju (20/05), Dourados (22/05), Ponta Porã (27/05), Rio Brilhante (29/05) e Itaporã (30/05). Confira a programação completa no site www.fundacaoms.org.br. Outras informações podem ser obtidas por meio do telefone (67) 34542631.

