10/10/2014 09h32 – Atualizado em 10/10/2014 09h32
Sem reajuste há 3 anos, médicos da Santa Casa sinalizam paralisação em Campo Grande
Fonte: MS Notícias
Sem aumento salarial há três anos, médicos lotados na Santa Casa ameaçam greve a partir de novembro se a categoria patronal não abrir diálogo e apresentar proposta de reajuste. Após convocações de assembleias e tentativas de negociação com o Sindhesul (Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Mato Grosso do Sul), o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), encaminhou ofício para o Ministério Público do Trabalho, Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul, e outros órgãos competentes denunciando o descaso do sindicato patronal em resolver a questão do reajuste salarial dos médicos que trabalham na Santa Casa de Campo Grande.
A reportagem do MS Notícias conversou com o diretor do Sinmed, João Batista que afirmou para o site que os médicos lutam há três anos por um reajuste salarial de 20% na carga horária de 12 horas semanais, mas durante todo esse tempo não obtiveram êxito em nenhuma das tentativas.
“Esse ano, por exemplo, tentamos em janeiro só por meio de conversa com o sindicato. Como não obtivemos êxito, em maio acionamos o Ministério Público do Trabalho, mas também não obtivemos respostas. Aí agora já venceu novamente a data para assinatura do aumento e continuamos sem respostas”, desabafa.
João contou ainda para a reportagem que a situação dos médicos na Santa Casa piorou neste mês diante da crise financeira pela qual o hospital passa, com déficit mensal de mais de R$ 4 milhões. A falta de recursos, inclusive, obrigou a instituição a pagar apenas 70% do salário dos médicos neste mês de outubro.
“A Santa Casa, por meio de sua presidência, afirma que o órgão está sem recurso. Que no contrato da Santa Casa com a prefeitura há um déficit atualmente de R$ 4 milhões. Mas nós trabalhamos e queremos receber certo”, fala.
Em assembleia realizada no dia 23 de setembro, com a presença em massa de médicos lotados na Santa Casa, foi votada a pauta de reivindicações para o período 2014/2015 que foi encaminhada no dia seguinte ao Sindhesul por ofício. De acordo com João a categoria deu um prazo de 10 dias para o órgão se pronunciar e mais uma vez não obtiveram respostas. “Deixando assim evidente o descaso com a classe médica e a despreocupação em cumprir o dever de negociar”, fala João Batista.
Na última assembleia, realizada no dia sete de outubro, os médicos presentes, após deliberarem sobre a questão, sinalizaram ação radical caso a situação continue calamitosa.
“Sabemos que a saúde é uma área crítica aqui em Campo Grande, mas precisamos de respostas e já tentamos o suficiente. Vamos esperar mais uns 10 dias. Caso ninguém se pronuncie nós vamos convocar outra assembleia e dependendo do andamento vamos paralisar. Queremos evitar conflito, mas do jeito que está não dá para continuar”, finaliza o diretor do Sinmed, João Batista.
Câmara Municipal
Comovido com a situação dos médicos da Santa Casa de Campo Grande, a presidente da Câmara Municipal, vereador Mario Cesar (PMDB) realiza, na próxima quinta-feira, Audiência Pública para discutir sobre a crise instalada na Santa Casa da Capital, maior hospital sul-mato-grossense. O debate está marcado para as 15h, no Plenário Edroim Reverdito, na sede da Casa de Leis.
O hospital está sob comando da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) desde maio do ano passado, após passar oito anos sob intervenção do município e do Estado. Segundo informações da direção, o local sofre com um déficit mensal de R$ 4 milhões, o que compromete o atendimento aos pacientes.

