03/12/2014 09h48 – Atualizado em 03/12/2014 09h48
FETEMS reforça sua solidariedade à luta do povo indígena de Mato Grosso do Sul
Fonte: Matéria
Na tarde desta segunda-feira (1º), a FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do
Sul), movimentos sindicais filiados a CUT/MS (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimento Sem Terra)
e o deputado federal eleito, José Orcírio Miranda dos Santos (Zeca do PT), estiveram em Aquidauana, na
Fazenda Maria do Carmo, marco da retomada terena da última semana.
Os movimentos foram prestar solidariedade e apoio aos indígenas que estão no aguardo de uma resposta da
Justiça Federal, em relação à demarcação dos 33.900 hectares da Fazenda Maria do Carmo, que estão
reconhecidos como terras indígenas, desde 2004, após estudos antropológicos.
Com a demarcação da Maria do Carmo, a terra Indígena Taunay/Ipegue será ampliada, e indígenas e
movimentos sociais se unem na batalha para que a portaria declaratória da terra seja desengavetada. Já que
há cerca de dez anos a terra foi declarada como indígena e até agora não foi entregue aos povos originários.
De acordo com as lideranças indígenas locais e dados da prefeitura municipal, atualmente, os índios que
habitam o município são da etnia Terena, que formam uma população de mais de 12 mil pessoas, distribuídos
em nove aldeias. Na fala dos terenas ficou claro que o número de hectares das aldeias é insuficiente para
gerar o sustento das famílias indígenas da região, através da agricultura familiar, que é a principal fonte de
renda local.
Além da falta de terra, também faltam questões básicas como remédios, alimentação e incentivos de
produção. Como os próprios indígenas colocaram não basta devolver as terras que lhes foram tiradas e que
hoje estão completamente desmatadas para pasto, principal atividade do latifúndio da região. “É necessário
que os poderes constituídos forneçam condições para que os indígenas possam desenvolver a agricultura
familiar, produzir o seu sustento, já que hoje, por causa da situação em que se encontra a maioria das
propriedades rurais, já não é mais possível se viver da pesca e da caça”, explicaram as lideranças.
Na ocasião da visita, os movimentos, participaram de uma grande reunião com a presença de caciques,
lideranças, anciões, mulheres, jovens e crianças e em todas as falas ficou claro que a CUT, o MST e seus
sindicatos filiados são solidários a luta dos indígenas que sofrem diariamente o preconceito de uma sociedade
que não sabe olhar para trás e reconhecer que a justiça precisa ser feita, para contarmos outra história no
futuro, pois se não falaremos de um povo que habitou e ajudou a construir o Brasil e que está totalmente
extinto por causa da crueldade dos brancos.
Nesta terça-feira (2) os movimentos cutistas acompanham, juntamente com as lideranças indígenas, uma audiência de conciliação, entre os representantes da comunidade terena e os fazendeiros, na Justiça Federal,
a partir das 14h.


