09/05/2015 14h04 – Atualizado em 09/05/2015 14h04
Fonte: Rádio ONU
Um idioma falado por mais de 250 milhões de pessoas, espalhadas por nove países de quatro continentes: a nossa língua portuguesa foi celebrada nas Nações Unidas na noite de quinta-feira, 7 de maio, em Nova York.
O evento em homenagem ao Dia da Língua Portuguesa mereceu até discurso do presidente da Assembleia Geral da ONU. Para Sam Kutesa, o momento era “para celebrar as belezas da diversidade cultural”.
O presidente da Assembleia Geral elogiou a forte cooperação entre os países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Juntos, formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP.
Ásia e África
Neste ano, a celebração do Dia da Língua Portuguesa na ONU foi coordenada pela Missão do Timor Leste, sob a liderança da embaixadora Sofia Borges.
“O futuro para mim é muito positivo para a Cplp, com a adesão da Guiné Equatorial. Isso mostra que a organização está disponível para aceitar mais membros. Com países como Turquia, Geórgia, Japão e Namíbia como observadores, temos uma ajuda para promover a Cplp aqui nas Nações Unidas.”
Entre as nações africanas de língua portuguesa, Angola ocupa atualmente uma cadeira não-permanente no Conselho de Segurança. O embaixador Ismael Martins falou à Rádio ONU: “Olha, para nós é um prazer poder conviver com o resto da comunidade internacional aqui nas Nações Unidas e fazer com que todos pelo menos digam uma palavra em português, o que tem acontecido e o que é em si um sucesso daquilo que é a nossa convivialidade. O nosso grupo (a CPLP) é um grupo aberto, só ver os observadores que tem estado a aderir e tem uma grande simpatia por aquilo que nós representamos: abertos para a solução dos problemas do mundo.”
Diálogo
O embaixador do Brasil junto à ONU, Antonio Patriota, também ressaltou o compromisso dos países lusófonos com a paz.
“É uma confraternização em torno de uma língua que se expressa através do mundo, em quatro continentes, a língua mais falada no Hemisfério Sul, 250 milhões de pessoas. Uma comunidade que se caracteriza pela abertura ao diálogo, pela busca de soluções pacíficas, pelo compromisso com a democracia e com os direitos humanos.”
Nas Nações Unidas, os convidados ouviam música brasileira enquanto degustavam bolinho de bacalhau, pasteis de nata e outros petiscos preparados pela chef portuguesa Luísa Fernandes.
Cultura
“Quando tem um encontro destes, que se fala a língua portuguesa e que as pessoas lembram de mim para vir mostrar um bocadinho da língua portuguesa ou das colônias africanas, como eu tenho hoje; tenho um caril de camarão de Moçambique, tenho uma galinha de Angola e tenho os pasteis de bacalhau portugueses. Isso é muito importante porque a comida é cultura.”
A celebração da língua portuguesa também teve a presença do vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson. Ele contou à Rádio ONU que na década de 1970, representou o governo sueco em Moçambique, onde aprendeu três palavras:”Obrigado, revolução e negociação.”
E para o embaixador do país onde nasceu a língua portuguesa, a comunidade lusófona está “num bom caminho” para tornar o idioma mais conhecido. Álvaro Mendonça e Moura representa Portugal junto às Nações Unidas: “Faz parte dos nossos objetivos políticos tornar a língua portuguesa mais conhecida, mais praticada e é isto que estamos a procurar também fazer com essa festa. Todos estamos muito confiantes no futuro da língua portuguesa. As pessoas vieram cá porque começam a reconhecer a importância da língua portuguesa. E compete a nós divulgá-la, trabalha-la. É uma mensagem de um grande otimismo e de muita confiança.”
O Dia da Língua Portuguesa é celebrado nas Nações Unidas há cinco anos, sempre na primeira semana de maio.

