18/07/2015 08h17 – Atualizado em 18/07/2015 08h17
Fonte: Embrapa
Realizar a previsão do comportamento ambiental do agrotóxico antes mesmo de o produto ser aplicado na lavoura. Esse é o objetivo do Acha, sigla de Avaliação da Contaminação Hídrica por Agrotóxico, programa computacional que simula o comportamento ambiental de moléculas de agrotóxicos em cenários agrícolas brasileiros, com baixo custo, mais agilidade na avaliação dos resultados.
O software está em fase de validação e será disponibilizado daqui a dois anos, aproximadamente. Mas já é certo que o sistema substituirá métodos dispendiosos de avaliação de riscos ambientais.
O software simula o comportamento de agrotóxicos em cenários agrícolas brasileiros, e gera como resultados a avaliação da profundidade que um agrotóxico poderá chegar, informando o potencial de contaminação da água subterrânea, a persistência do agrotóxico no solo em que foi aplicado entre outros dados.
Sem o uso de um software, seriam necessários, considerando as diversas variáveis, vários experimentos para a elaboração de um manual completo sobre a aplicação. “Os gastos ficam altos devido ao custo dos equipamentos, análises complexas e mão de obra especializada”, afirma o pesquisador da Embrapa Rômulo Penna Scorza Junior, que atua na área de contaminação ambiental por agrotóxicos e modelagem matemática e simulação da dinâmica de químicos no ambiente e solo.
O especialista explica que, com informações sobre clima, solo e molécula do agrotóxico, é possível saber, por meio de modelos matemáticos, até a profundidade a que o produto chegará, qual será sua concentração naquele ponto, quanto tempo vai permanecer no solo e o que aconteceria com o produto ao se mudar a época de aplicação, ou seja, o momento de aplicação em que haveria maior risco de contaminação em função das condições climáticas.
Sistema em parceria
O Acha é resultado de um projeto de pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) em parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) e financiado pela Embrapa e pelo fundo CT-Hidro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O cientista da computação, Filipe Névola, então estudante da Uems, foi o responsável por elaborar a programação do Acha. O software será disponibilizado na internet para ser acessado por órgãos ambientais. Névola explica que não será preciso instalar nenhum programa no computador para utilizá-lo.
O programa será integrado, ou seja, será possível acessar bases para uso nas simulações, como por exemplo, registros climáticos, compostos químicos, solos, entre outros dados. Outra vantagem do Acha é que haverá diferentes níveis de acesso aos dados simulados e às bases. “Com o software, é possível determinar se uma informação específica é privada ou se é pública para as instituições que o utilizam”, destaca o desenvolvedor de sistemas.
Outros programas da Embrapa
AraQuá – Resultado de um projeto de pesquisa da Embrapa, o ARAquá foi desenvolvido com a participação de colaboradores da Faculdade de Tecnologia (Fatec) e da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (SP). O ARAquá permite a simulação da contaminação de águas superficiais e subterrâneas, por meio de modelos matemáticos. A evolução deste programa será o ARAquáGeo, versão capaz de trabalhar dados georreferenciados.
O Software Gotas foi desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP) e Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP) pelos pesquisadores Aldemir Chaim e João Camargo Neto, para ajudar os agricultores a controlar a quantidade de defensivos aplicados na lavoura.
Para o programa funcionar corretamente, os agricultores devem distribuir amostras de papel sensível à água nos alvos da pulverização, ou seja, onde a praga se encontra, e depois disso, realizar uma pulverização com água apenas. Os cartões devem ser digitalizados e as imagens devem ser analisadas pelo programa.



