03/11/2015 13h52 – Atualizado em 03/11/2015 13h52
Fonte: FNP
A maior mobilização da categoria desde 1995, quando os petroleiros se enfrentaram com a privatização de FHC e o arrocho salarial, completa nesta terça-feira (3) seis dias nas bases da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). E com muitas semelhanças em relação à luta travada vinte anos atrás: assim como naquele ano, os trabalhadores da Petrobrás se enfrentam em 2015 com enormes desafios: a luta é em defesa dos direitos históricos da categoria e contra a privatização da empresa, anunciada por meio da venda de ativos.
Como não se via há muitos anos, além de ganhar uma dimensão nacional de peso desde a adesão dos sindicatos da FUP no último domingo (1), a greve deflagrada pela categoria vem afetando diretamente a produção do Sistema Petrobrás. Não por acaso, esse fato vem provocando uma onda de práticas antissindicais da direção da Companhia. As gerências das unidades não têm poupado esforços para impedir os sindicatos de conduzirem a greve e para coagir a categoria a voltar aos seus postos de trabalho, uma vez que a dificuldade de escalar seus grupos de contingência tem sido grande.
E mesmo sob forte pressão, a categoria segue firme na luta contra a desmonte de direitos e do patrimônio da Petrobrás.
Negociação rompida
Nesta terça-feira (3), mais uma vez a direção da companhia suspendeu a reunião que seria realizada com a FNP no Rio de Janeiro. E, mais uma vez, sob o pretexto de bloqueio na UTGCA, em Caraguatatuba (SP). A unidade, que está em greve há seis dias juntamente com as outras bases da FNP, está tendo o escoamento de C5+ e GLP afetado por conta da mobilização. Com isso, afeta-se a produção do pré-sal.
”No entanto, ao contrário do que afirma a companhia, isso não vem sendo feito de forma unilateral pelo Sindicato. Pelo contrário, é fruto do convencimento da legitimidade da greve junto aos motoristas que transportam esses produtos. Para nós, ao tomar essa postura a empresa demonstra que não quer negociar. Na verdade, vem tentando usar as mesas de negociação não como espaço de construção de uma proposta digna aos trabalhadores, mas sim como uma ferramenta para desmobilizar a categoria. Não aceitaremos, a greve continua!”
Confira abaixo o quadro nacional de greve, que completa seis dias nas bases da FNP e três dias nas bases da FUP:
Bases da FNP
No Litoral Paulista, o movimento segue com os trabalhadores de braços cruzados. No Terminal Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião, a adesão dos trabalhadores da manutenção foi de 80% e do turno de 100%. No Terminal Alemoa (Santos), o corte no turno foi feito logo pela manhã, seguido de adesão de 100% no ADM. No Terminal Pilões, em Cubatão, houve adesão de 90% do turno e adesão parcial do ADM.
Na UTGCA, em Caraguatatuba, os trabalhadores junto com os dirigentes do Sindicato mantêm os piquetes em frente à unidade, com adesão de 100% no turno e manutenção e de 30% no ADM. No Edifício Valongo, o Sindicato esteve presente durante a manhã para dialogar com os trabalhadores e sensibiliza-los sobre a necessidade de aderir ao movimento nacional de greve.
Na RPBC e UTE-EZR, em Cubatão, a adesão segue forte com 100% do turno com os braços cruzados e praticamente 90% do ADM também se incorporando à greve. Os ônibus chegam vazios à unidade e os trabalhadores seguem mobilizados. Nas plataformas de Merluza e Mexilhão, na Bacia de Santos, seguem sendo autorizados apenas serviços essenciais para segurança e habitabilidade das plantas, com corte na emissão de PTs (Permissões de Trabalho)
Na Revap, em São José dos Campos, houve corte de rendição na entrada do turno, às 7h, a com adesão de 100%. A Diretoria do Sindipetro/SJC realizou um trancaço no portão principal da unidade e mesmo sob forte repressão policial, mais de cem trabalhadores do ADM não entraram na refinaria.
Nas bases de Alagoas/Sergipe, a greve se estendeu a quase todas as áreas. Sede, Carmópolis e Tecarmo, que entraram em greve quinta e sexta-feira, deram continuidade ao movimento nesta terça com adesão entre 80 a 90% dos trabalhadores. A Fafen-SE segue paralisada desde domingo com adesão total. Nesta terça, 03, a polícia foi mais uma vez foi acionada pela gerência para tentar intimidar o movimento.
Nas áreas isoladas, estações de Siriri e Jordão, os supervisores estão fazendo treinamento para assumir a estação. A paralisação foi garantida com a presença de apenas um diretor do sindicato, que contou com o apoio dos trabalhadores da base. No porto ninguém embarcou para trabalhar nas plataformas, os trabalhadores ficaram no hotel e cortaram rendição. Em Alagoas, na estação de Pilar, nesse momento está parada, com adesão de 80% do ADM e 100% do turno sem corte de rendição.
No Rio de Janeiro, a manhã começou com assembleia no Tebig com a categoria deliberando pela continuidade da greve. Os trabalhadores do TABG prosseguem no sexto dia de mobilização.
Na base do Sindipetro-PA/AM/MA/AP, a greve na Província Petrolífera de Urucu (AM) continua sendo conduzida com controle de produção pelos trabalhadores, o que diminuiu em 25% a produção da unidade. No Terminal Aquaviário de Coari (TA–Coari) a greve com ocupação segue forte. No Terminal São Luis (MA), em assembleia, os petroleiros decidiram pela manutenção da greve. Foi deliberada também a redução do número de operações. Além disso, a partir de amanhã ninguém entra no terminal.

