11/03/2016 16h04 – Atualizado em 11/03/2016 16h04
As últimas apresentações acontecem no domingo (13), nos períodos da tarde e noite
Fonte: Da Redação
Amambai (MS) – Os espetáculos apresentados nas últimas duas semanas em Amambai têm sido assim: regados de risos, gargalhadas e olhares curiosos voltados aos artistas que fazem do picadeiro a sua vida. Isso porque, após dez anos, o Circo Zanchettini voltou a Cidade Crepúsculo.
A magia e a alegria contagiante da trupe não se delimitam apenas nas lonas ou no findar das duas horas de espetáculo, mas se estendem e resplandecem em cada olhar e sorriso de cada um dos cerca de 40 integrantes da família Zanchettini, que há cerca de 80 anos levam emoção e alegria a adultos e crianças, não deixando a magia circense morrer.
Segundo uma integrante do circo, Anaíse Zanchettini, a história do circo que leva o mesmo nome teve início quando a matriarca da família, dona Wanda Cabral Salgueiro Zanchettini, casou com um palhaço e a partir daí resolveu trilhar sua vida no picadeiro, criando seus dez filhos e, posteriormente netos, no ambiente circense. “No início, o circo se chamava Circo e Teatro Gávea, apenas há cerca de 40 anos atrás que passamos a nos intitular Zanchettini”, conta Anaíse, que no picadeiro, interpreta a palhacinha Magali Gasolina.
O circo, que é inteiramente constituído por membros da família, teve seu ápice no ano de 2007, quando participou de uma votação no programa Domingão do Faustão para descobrir qual o melhor espetáculo circense do Brasil e ganhou com 47% dos votos. A partir de então, o sucesso que já era grande, se consagrou e caiu nas graças de todo o Brasil.
Anaíse afirma que o diferencial do Circo Zanchettini, é o contato que os artistas têm com o público. “O nosso diferencial é o contato com o público, tanto que damos uma pausa no meio do espetáculo para tirar fotos com as pessoas, além de todos terem acesso as nossas casas”, explica a artista.
Os espetáculos
Recheados de muita diversão e repletos de números antigos, quase não vistos hoje em dia, os espetáculos do circo, considerado o mais tradicional do Brasil, são um desdobramento de uma família que há cinco gerações luta com o intuito de levar alegria e encanto por onde passam.
Com duas horas de duração, o espetáculo é estruturado com números de trapézio, salto acrobático, malabares, palhaços, contorcionistas, equilibristas, globo da morte e outras tradicionais atrações circenses.
Anaíse conta que a atração mais esperada é a do Globo da Morte, já que são quatro pilotos dentro de um globo, entre eles uma mulher, Márcia Zanchettini, que foi uma das precursoras femininas na atração. “A atração mais esperada com certeza é o Globo da Morte, as pessoas ficam todas em êxtase quando os quatro entram”, pontua Anaíse.
Apesar de ser uma das atrações mais perigosas do circo, Anaíse explica que o Globo da Morte é realizado visando a segurança dos pilotos, que treinam todos os dias para que nada aconteça de errado durante a apresentação. “O Globo da Morte sempre nos causa muita tensão, mas nossos pilotos têm plena ciência do que fazem, por isso quando acontece algo de errado e eles se machucam é porque a moto deu problema”, afirma ela.
Uma das coisas que mais chamam atenção no Circo Zanchettini é a diversificação dos espetáculos apresentados a cada noite. A amambaiense Rosalina Sanabria disse que não perdeu nenhum espetáculo desde que o circo chegou em Amambai. ” Não perdemos nenhum espetáculo, isso porque eles trazem muitas novidades, coisas que os outros não fazem”, afirma a espectadora.
Um outro diferencial do Circo Zanchettini, é que eles levam o espetáculo até escolas da cidade em que estão instalados para que todas as crianças tenham oportunidade de assistirem e se divertirem com o circo. “Muitos pais não conseguem levar seus filhos a noite para assistirem ao espetáculo, então nos locomovemos até as escolas para que essas crianças também possam se divertir”, frisa Anaíse.
A arte circense é uma das mais antigas da história da humanidade, existe nas mais variadas categorias, circo de rua, circo tradicional, circo chinês, circo russo e diversos outros. O circo consegue agrupar vários tipos de arte, como o malabarismo, o palhaço, a acrobacia, o adestramento de animais, equilibrismo, magia e muitas outras atrações, porém, essa rica cultura tem sido extinta no Brasil. Anaíse lembra que um dos meios para que a arte circense não venha de fato acabar, é enaltecer a cultura dentro do seio familiar, passando de geração em geração. “Para manter a arte circense viva é necessário realizar as coisas em família, para que essa cultura se perpetue”, finaliza a artista circense.
Confira algumas fotos dos espetáculos do Circo Zanchettini:
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