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quinta-feira, 2 de julho de 2026

O mito do Estado laico

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01/08/2016 07h40

Crônicas de uma Alma Solta

Por Luiz Peixoto

Eu sempre fui cristão. Comecei minha vida social e política dentro da comunidade católica em Amambai. Foi nesse grupo que aprendi a socializar e a debater ideias, a defender o que acredito. O caminho acadêmico da Filosofia só reforçou em mim o que havia sido construído em comunidade.

Como militante social conheço e respeito pessoas de diversas crenças e se crena nenhuma. Penso que assim deveria ser a vida em sociedade. O que cada um crê é de foro íntimo, não diz respeito a coletividade, desde que não interfira na vida em sociedade.

Defendo radicalmente a laicidade do estado, em todas as suas forças e instâncias.

Me incomodam algumas coisas que vejo:

  • Se o estado é laico, porque existem crucifixo em repartições públicas? Nas casas cada um coloque o ornamento religioso que quiser, mas no espaço coletivo, ou não se coloca nenhum, ou façamos um painel de todos os símbolos…
  • Se o estado é laico, porque existe uma bancada evangélica? Entendo que as pessoas levem consigo sua fé onde atuam, eu também faço isso, mas misturar preceitos de uma religião com os rumos do estado já foi feito na história e quem estuda sabe onde isso foi parar…

  • Se o estado é laico, porque as igrejas ainda recebem isenção de impostos? Nunca sociedade plural, todos deveriam ter as mesmas obrigações frente a coletividade. Quem arrecada, e algumas igrejas arrecadam muito, que pague o preço do leão por isso…

  • Se o estado é laico, porque existem escolas confessionais? A educação é dever do estado, não de um grupo pragmático…

Ainda sonho com um dia eu se supere a relação estado e religião. Que todas as formas de manifestações de crença ou de descrença sejam respeitadas, sem que essas interfiram nos rumos do estado.

Por isso, e para isso, não voto, não apoio e ainda faço campanha contra candidatos ligados a partidos de cunho religiosos, às igrejas, a grupos dogmáticos que usam a fé como trampolim político. Cada candidato tem pleno direito de ter sua fé, ou de não ter fé nenhuma, o que não é aceitável é que se coloque a fé individual acima do interesse social.
Mas, sigamos!

O autor é filósofo e escreve semanalmente nesta coluna

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