23/12/2018 09h30
Fonte: Por Emmanuel Marinho
Hoje minha cidade faz 83 anos, um poema para ela
Minha cidade era assim:
Tinha uma rua cheia de árvores enormes
Que passava por uma praça com árvores enormes
Onde a estátua de um herói da guerra
Dava seu último grito
E uma fonte luminosa
iluminava coloridos olhos de crianças
Velhos e moribundos.
No fim da semana
O sol levava todos ao campo
E se colhiam flores e guaviras
Levava também ao rio
Que ofertava água e peixe
Tinha lama, poeira
Maria louca
Louca por brincadeira e folia…
Ah! Dourados!
Hoje, quando a paisagem surge em soja
Onde a vida sugere o inseticida
Neste campo incerto
Quando me resta um sigilo de sonho
Suja minha rua de barro
Tira um sarro
Antônio João sem a praça
Sem a graça de tuas árvores
Estátua olhando a lua
Tatua em tua mão
Um horizonte de paz.
Ah! Dourados
Sem dourado no rio
Quem te vê
Quem te viu
E, como fizeram com a fonte luminosa
Azul, cor de rosa, dos desejos
Do banho no azulejo da chuva
Mijemos todos
Pro lucro da cana
Da grana
Da gana e dos grãos
” cadê o boi?
Foi pro mato
Cadê o mato?
O fogo comeu
Cadê o fogo?
A água lambeu
Cadê a água?
O homem bebeu
Cadê o homem
Que nem percebeu? “
-Emmanuel Marinho

