18/02/2020 10h45
Fonte: Assessoria Deputado Pedro Kemp
Várias entidades ligadas à causa indígena estiveram na CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), em Campo Grande (MS), na manhã desta segunda-feira (17). Diante da decisão do governo federal de suspender a entrega das cestas básicas, as entidades estão preocupadas com a situação de fome nas aldeias do Estado e fizeram uma reunião na Companhia, responsável pela entrega dos alimentos.
Ao lado da Defensoria Pública da União, Defensoria dos Direitos Humanos e dos mandatos dos deputados estaduais Pedro Kemp e Cabo Almi, os movimentos sociais junto com lideranças Guarani-Kaiowa, Terena e Kiniquinau pediram que os trabalhos da CONAB fossem restabelecidos, já que os índios estão sem alimentos desde dezembro. “A gente tá sem a comida. A gente faz a caça”, disse Mônica B., da aldeia Ivy Katu, Japorã. Indígenas de Iguatemi, Rio Brilhante e Campo Grande também participaram da reunião.
De acordo com o superintendente da CONAB, Nilson Azevedo Marques, o trabalho de levar os alimentos dentro das áreas de disputa judicial, ocupadas pelos povos indígenas, só pode acontecer com o acompanhamento da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Esta, que por sua vez, não está autorizada a entrar nessas áreas não regularizadas, assim, começaram a entregar esses alimentos fora desses locais, que seja próximo e de fácil acesso das comunidades indígenas. Assim, a CONAB está sendo acionada pelas coordenações regionais da Fundação para a entrega das cestas desde a última semana.
Só foram mantidas as entregas dentro das reservas. Para o deputado Pedro Kemp, ficou clara a estratégia desumana do governo federal de tirar o alimento dos índios que estão nas áreas em disputa judicial para que a fome os obrigue a saírem e dessa forma, acabar com a luta dos povos.
Os parlamentares de Mato Grosso do Sul deverão ir até a FUNAI, em Brasília (DF), para que seja garantido o alimento aos indígenas sem restrições. Enquanto isso, o MPF (Ministério Público Federal) através de ação judicial quer reverter a situação que hoje já chama a atenção de outros estados e até de outros países.
“É importante neste momento, garantir que o alimento chegue às populações que estão fora das reservas e próximas às áreas em disputa, que ainda não foram demarcadas. A fome não espera”, finaliza Kemp.
As entidades que participaram da reunião foram:
CDDH (Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos) Marçal de Souza Tupã-i
Juristas pela Democracia
CIMI
CEBI (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos)
MST
Coletivo Terra Vermelha
CEDHU/MS (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana)

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