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sábado, 19 de setembro de 2026

Sífilis: a epidemia não para. Como evitar?

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08/03/2020 09h30

Apesar do diagnóstico e do tratamento serem simples, essa DST continua fazendo novas vítimas. Saiba quais os sintomas e como se proteger

Fonte: Maurício Brum / Saúde Abril

Ela teima em parecer coisa do passado, mas nunca esteve tão presente. Alastrou-se em silêncio pelo Brasil até virar uma verdadeira epidemia na última década. Entre 2010 e 2018, os casos registrados de sífilis adquirida sexualmente saltaram de 2,1 para 75,8 a cada 100 mil brasileiros — um aumento de incríveis 3 600%. “É uma doença de fácil diagnóstico e fácil tratamento, mas continua muito prevalente. Há uma questão de conscientização que ainda precisa ser enfrentada”, analisa o ginecologista José Eleutério Júnior, presidente da comissão de doenças infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

O crescimento é explicado por pelo menos dois fatores. Por um lado, o maior acesso aos testes rápidos no SUS (Sistema Único de Saúde) permite flagrar episódios que antes passavam despercebidos. Por outro, a bactéria responsável pela doença circula mais por aí à medida que as pessoas negligenciam cuidados com o sexo.

Na visão de Eleutério Júnior, hoje os brasileiros se sentem mais seguros e menos vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), chamadas pelos especialistas de infecções sexualmente transmissíveis (IST). O sucesso no tratamento do HIV, o vírus da aids, teria tirado de cena um medo que antes estimulava mais precaução contra essas enfermidades, algumas delas potencialmente fatais.

Mas a máxima do prevenir é melhor que remediar nunca caduca em matéria de IST. A vilã da sífilis é a bactéria Treponema pallidum, que, sorrateira, ataca o organismo em fases e pode enganar a vítima, dando a falsa impressão de ter ido embora do pedaço.

Os primeiros sintomas também confundem: feridas nos genitais, erupções cutâneas e ínguas, às vezes confundidas com alergias ou outras infecções. Como costumam desaparecer sozinhos, é comum que as pessoas não deem bola nem procurem o médico. Só que a bactéria continua ali, na miúda.

Esse período de latência pode inclusive durar décadas: a doença fica assintomática, mas ainda se espalha pelo corpo e é transmitida para outras pessoas. Após anos na surdina, porém, ela volta ao ataque, chegando a causar lesões no cérebro, no coração, nos olhos e até levar à morte.

A boa notícia é que é moleza detectar a sífilis. O teste rápido é oferecido de graça pelo SUS e não exige sequer laboratório: basta coletar o sangue perfurando um dedo e colocá-lo em um kit distribuído aos serviços de saúde. Em meia hora, sai o resultado. O grande desafio é convencer pessoas sem nenhum sintoma a fazer o exame.

Segundo os especialistas, o ideal é rastrear as ISTs anualmente, sobretudo no caso de pessoas sem parceiro fixo, que estejam iniciando a vida sexual ou planejando engravidar.

A camisinha é a principal medida para se proteger da sífilis. Outra é fazer o teste de tempos em tempos. (Foto: Tomás Arthuzzi/Saúde é Vital)

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