03/02/2021 15h08
Miguel Martins, de 23 anos, passou pela segunda vez para Medicina na Universidade Federal do Maranhão e precisa arrecadar o valor da passagem de ônibus até o município onde está instalada a universidade.
Fonte: Redação
Amambai (MS)- Uma tragédia ocorrida em sua vida familiar fez florescer no coração do jovem indígena Miguel Martins, da Aldeia Amambai, o sonho de ser médico. Aos 18 anos perdeu sua avó, que amava como se fosse mãe e aos 19, perdeu o seu avô, considerado como pai. Diante desse pesadelo que é a morte de pessoas queridas, o Miguel entrou em um processo de depressão profunda e ficou três anos sem sair de casa.
Durante esse período de dor, seu único alívio era poder assistir às aulas gratuitas disponibilizadas por um cursinho preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Youtube e foi graças a elas que, aos 21 anos, passou pela primeira vez para o curso de medicina na Universidade Federal do Maranhão.
“Eu não me sentia capaz, então eu nem me dei ao trabalho de olhar o resultado do Sisu, quando fui olhar e vi que tinha sido aprovado, não tive tempo hábil de conseguir o dinheiro para ir até o Maranhão. Até tentei fazer minha matrícula por procuração, mas também não foi aceita, então, mesmo com muita dor no coração, eu desisti! Eu realmente não tinha a mínima condição financeira de ir para lá”, explicou Miguel.
Na época, o jovem até tentou fazer uma vaquinha online, mas não conseguiu nenhuma ajuda.
Aprovação para Odontologia na Unicamp
No final de 2019, Miguel viu na internet que a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp abriu edital para o ingresso de cotistas e ele viu ali uma chance de ingressar no ensino superior na área da saúde. Ele então vendeu algumas coisas que tinha, colocou quatro camisas, duas calças, um sapato e um chinelo na bolsa e saiu rumo à São Paulo.
Chegando lá, as coisas foram mais difíceis que esperava. Foi assaltado e perdeu quase tudo que tinha e na faculdade, acabou sendo reprovado na entrevista de heteroidentificação. Após intensa manifestação de amigos que Miguel fez nos grupos da faculdade, a banca examinadora ratificou o parecer, concedendo a ele a vaga e o posto de primeiro acadêmico indígena ao longo dos então 64 anos de história da faculdade.
Segunda aprovação para medicina e a chance de realizar o sonho de dar orgulho à sua mãe
Mesmo cursando odontologia em tempo integral na universidade que é tida como referência na América do Sul, Miguel não desistiu do sonho de ser médico. Em meados do ano passado, ele viu que a Universidade Federal do Maranhão abriu vagas remanescentes para o curso e ele decidiu tentar mais uma vez. E não é que deu certo mais uma vez?
Por conta da pandemia, as matrículas puderam ser feitas via internet e o jovem está oficialmente matriculado no curso que tanto sonhou, precisando apenas ir até o município de Imperatriz, onde fica instalada a universidade para iniciar as aulas de forma híbrida. Ele precisa estar no campus no dia 8 de fevereiro, mas ainda não conseguiu o montante necessário para custear sua viagem e seus primeiros dias na cidade. O valor gira em torno de R$ 1500,00.
“Esse sonho cresceu dentro de mim depois de perder meus pais para doença, eu quero muito poder dar esse orgulho para a minha mãe”, disse Miguel.
Para tentar resolver esse problema, Miguel criou uma vaquinha online. Então se você quer e pode ajudar, acesse o link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/medicina-ufma-imperatriz-miguel-martins e contribua.

