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quarta-feira, 29 de junho de 2022

Safra de soja frustrada gera perdas na economia de MS e preocupa produtores

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Para o produtor rural Christiano Bortolotto, de Amambai, o cenário é preocupante.

Fonte: Liana Feitosa/ Campo Grande News

Os ganhos de Mato Grosso do Sul com a safra de soja 2021/2022 podem cair e gerar ligeiro desaquecimento na economia do Estado, que alcançou produção de apenas 8,6 milhões de toneladas, resultado quase 35% menor que a safra anterior. Com isso, as exportações do grão poderão ser afetadas, fazendo com que MS ganhe menos com a venda do produto.

Para o economista Eugênio Pavão, os altos preços internacionais pagos pela oleaginosa podem amenizar as perdas financeiras. “Atualmente, observa-se que a interferência das intempéries, chuvas e secas, além do alto custo dos insumos para a plantação devido à nossa dependência da Rússia, reduzem a produção da soja em MS”, avalia. “Entretanto, como a soja é uma commodity voltada para o mercado exterior, o ganho em dólar compensa a alta de custos e a redução da produtividade”, considera.

Perdas – Para o produtor rural Christiano Bortolotto, de Amambai, a 351 quilômetros de Campo Grande, o cenário é preocupante. “Sou produtor há 16 anos e nunca vi uma realidade como essa. Nem nas minhas piores estimativas eu esperava colher tão pouco como colhi nesta safra”, aponta.

Ele explica que na região sul do Estado, principalmente na região sul-fronteira que engloba boa parte das cidades de Dourados, Ponta Porã, cruzando o leste em direção a Ivinhema e Bataguassu até a divisa de MS com o Paraná, a seca sofrida nas lavouras foi “terrível”, como define.

“Em uma propriedade minha, é registrada uma quantidade média de chuva de 600 milímetros ao longo do desenvolvimento da lavoura, o que é uma média ruim. A chuva registrada nessa safra de soja inteira foi de 100 milímetros. Ou seja, simplesmente não choveu”, explica. “Tive talhão onde colhi 5 ou 6 sacas por hectares. No geral, todos os talhões foram muito ruins”, detalha o agricultor.

Futuro – Ainda de acordo com Bortolotto, que já ocupou posições de liderança em entidades do setor, inclusive, como presidente da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), muitos produtores rurais “empurraram as contas”, na expectativa de ter uma safra de inverno de milho positiva. “A questão é que viemos de uma safrinha 2021 ruim e aí, a safra de soja também foi ruim. Com isso, a expectativa está na safrinha 2022 ser melhor para podermos liquidar as contas”, afirma.

Para ele, os produtores têm, agora, dois principais desafios: “se manter adimplentes e plantar a próxima safra”, analisa Bortolotto. “Conheço vários produtores que não conseguiram pagar nem mesmo o arrendamento da terra onde plantam, como que chegarão em março de 2023 até lá pagando funcionários, óleo diesel, encargos? Sem contar ainda que entram nesse cenário altos custos de fertilizantes, dificuldade financeira, etc”, questiona o produtor, que também é administrador de empresas.

A situação só não é pior porque, na compreensão dele, muitos agricultores aproveitaram os bons resultados do setor dos últimos anos para capitalizar e investir, e se não fosse esse “respiro”, não seria possível “empurrar as contas”.

Atingindo outros setores – No entanto, os resultados ruins da safra geram impactos em toda a economia, considera Bortolotto. “Todo o dinheiro que deixará de circular ia movimentar a economia de alguma forma, inclusive, o setor, seja na renovação das máquinas, na melhoria de infraestrutura, no investimento na qualidade do solo. Enfim, é uma cadeia gigantesca afetada”, avalia.

E os impactos se estendem a outros setores econômicos. “Às vezes, o empreendedor está lá no comércio dele e não consegue entender, porque o movimento dele diminuiu. Mas vamos supor que o empresário ligado ao agronegócio, que comprava dele, deixou de ter a receita que tinha, então, diminuiu gastos. É isso o que acontece: esses resultados afetam a todos”, exemplifica.

“O poder público precisa entender que os municípios vão sentir o impacto imediato (da quebra), e isso impacta diretamente o cidadão. O cidadão, mesmo aquele que não está inserido diretamente no agronegócio, faz parte dessa roda da economia, assim como o agro”, finaliza o produtor rural.

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