28.3 C
Dourados
segunda-feira, 2 de março de 2026

Pipoca, a caçula que virou estrela

- Publicidade -

Ela apareceu num dia qualquer, desses de quintal cheio e churrasco no fogo. Pequena, arisca, brava — e absolutamente linda. Multicolorida, laranjinha misturada com mais três cores, olhos grandes e assustados, como quem chegou ao mundo sem pedir licença, mas decidida a ficar.

Não deixava ninguém chegar perto. Desconfiada, dessas que observam antes de confiar. Quem ganhou seu coração primeiro foi ele: Edward. O Gato Garçom. Para os íntimos, Neuzinho. Ele virou pai sem aviso, protetor sem contrato. E ela, que não se deixava tocar por mãos humanas, virou um grude felino. Bastava ele sair de perto e começava a choradeira. Amor barulhento, desses que não aceitam distância.

Pipoca cresceu. Castramos. Ela se recuperou bem — muito bem — porque tinha um Neuzinho colado nela. Dormiam juntos, brincavam juntos, e, unidos, praticavam bullying com os outros gatos da casa, como toda dupla afinada costuma fazer.

Pipoca, a caçula que virou estrela
Foto: Pipoca – Arquivo pessoal

Ela tinha suas manias. Comia só na tigela do meio. Para beber água, encostava a patinha primeiro, fazia a água se mexer… só depois, com o mundo em movimento, ela bebia. Talvez fosse isso: Pipoca precisava sentir que as coisas estavam vivas antes de confiar.

Ultimamente, testava seus dons de caçadora. Baratinhas aqui, baratinhas ali. Um dia apareceu com um filhote de passarinho. Levou bronca. Não adiantou — o passarinho já não tinha salvação. Pipoca estava apenas sendo Pipoca: instinto, curiosidade, vida pulsando.

Agora, tudo isso são lembranças. Porque, de repente, ela virou estrelinha. E doeu. Dói. Dói daquele jeito silencioso que aperta o peito sem avisar.

A gente nunca tem eles por tempo suficiente. E, às vezes, eles vão ainda antes do combinado. A gente nunca está preparado. Até ontem, eu ainda queria acreditar que ela estava presa em alguma casa da vizinhança e que logo voltaria, miando na porta como quem diz “demorei, mas cheguei”.

Mas dessa vez, ela não vai.

Ficam as memórias. O amor. O Neuzinho procurando. E a certeza de que, mesmo em pouco tempo, Pipoca foi inteira. Foi casa, foi laço, foi vida. E agora é luz — dessas que piscam no céu e lembram a gente de amar sem medida, enquanto dá.

Fonte: Nádia Rocha/Redação Amambai Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade-