29/06/2017 10h19
Após reunião extraordinária do órgão, equipe econômica revisou para baixo o índice pela primeira vez desde 2003
Fonte: Portal MS
Pela primeira vez em 14 anos, o Conselho Nacional Monetário (CMN) revisou para baixo a meta de inflação para os próximos anos. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (29), a equipe econômica anunciou uma meta inflacionária de 4,25% para 2019 e de 4% para 2020, ambas com 1,5 ponto percentual de tolerância.
Entre os anos de 2005 e 2018, prevalece a meta de inflação de 4,5%. Recentemente, o órgão reduziu de 2 pontos percentuais para 1,5 ponto percentual a banda de tolerância para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que mede a inflação oficial do País.
Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a decisão do CMN mostra a convergência gradual da inflação para os padrões internacionais e, ao mesmo tempo, assegura o crescimento da economia e a queda do emprego. “Na medida em que, com as expectativas [de inflação] convergindo, no caso de 2019 já ancoradas nos 4,25%, nós temos uma convergência natural da formação de preços para esses patamares”, explicou.
Já o presidente do Banco Cental, Ilan Goldfajn, ressaltou que a atual política econômica aplicada pelo governo federal possui condições de cumprir a nova meta de inflação. “A política econômica hoje, na nossa avaliação, tem as condições inflacionárias necessárias, a transparência necessária e a credibilidade necessária para se comprometer com essas novas metas”, reforçou.
Nos últimos 12 meses encerrados em maio, a inflação oficial do Brasil está em 3,6%, dentro dos parâmetros atuais do Banco Central. Nas projeções dos analistas, o IPCA caminha para encerrar o ano em 3,48% e, em 2018, deve marcar 4,30%.
Juros
Diante desse cenário, a equipe econômica salientou que a meta de inflação fixada para os próximos anos vai permitir a queda dos juros no longo prazo e destravar o crescimento potencial da economia.
“Com expectativas de inflação longas ancoradas em patamares baixos, economia pode almejar ter juros de longo prazo mais baixos”, pontuou Goldfajn.
“Todas as ações têm objetivo de garantir ao Brasil a retomada do crescimento a nível sustentável a longo prazo”, completou o ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira. “Permitir que haja, em decorrência disso, a geração de emprego e renda”, finalizou.
Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 10,25% ao ano. Principal instrumento de combate à inflação, a expectativa do mercado é de que ela encerre o ano em 8,50%.

