29/06/2017 22h30
Fonte: Brasil 247
Mais uma polêmica em atividades extraclasse em colégios particulares. O colégio Fayal, de Itajaí, encaminhou para os pais de alunos do 4º ano um comunicado pedindo que as crianças compareçam a uma festa com fantasia de “favelados do Rio de Janeiro”. Nas redes sociais, o jornalista Willian Domingues, pai de um aluno, diz que a recomendação era para que as crianças se vestissem com bermuda, chinelo, óculos e boné.
“Nasci em uma favela, cresci na periferia de São Paulo e ainda assim não sei que traje é esse de favelado. Sempre ensinamos os nossos filhos a não terem nenhum tipo de preconceito e não julgar as pessoas pelo que elas vestem ou têm, mas sim pelo caráter”, escreveu o pai do aluno.
A postagem, feita na quarta-feira à noite (28) no Facebook e no Instagram, foi compartilhada por Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas (CUFA) e comentada pelo rapper MV Bill: “Lamentável isso numa instituição de ‘ensino'”.
Em nota no Facebook, a escola prestou esclarecimento:
Viemos através desta transcrever nossos mais sinceros pedidos de desculpas ,pois ainda que possamos ter explicações , reconhecemos a inadequação de uma frase descontextualizada.Ouvimos cada um de vocês, e explicamos o contexto da ação . Jamais teríamos a intenção de criar estereótipos. Nosso espírito educacional é sempre na intenção de realizar ações que possam somar com a comunidade . É de prática cotidiana o acolhimento e humanização a nossos alunos , famílias e funcionários .Houve um sério equívoco no bilhete enviado às famílias dos quartos anos e que separado do contexto a que pertencia tornou-se inaceitável.Esclarecemos que a atividade proposta foi na verdade baseada na canção “Alagados” do conjunto Paralamas do Sucesso, onde é citado a Favela da Maré, uma das maiores do Rio de Janeiro, onde vivem hoje 130 mil pessoas ,em comunidades que se estendem entre a avenida Brasil e a Linha vermelha – duas das mais importantes vias de acesso à cidade. Não viemos criar muros e sim trabalhar e expor estes movimentos de cidadania e inclusão.
Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura.Convidamos a todos para acompanharem o nosso trabalho que sempre privilegiou os valores e reafirmar que repudiamos toda e qualquer forma de exclusão.Contamos com a compreensão nesse momento e as providências internas já foram tomadas. Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos cada vez mais intolerantes e intransigentes nesse sentido.Enfrentaremos esse momento com humildade e o superaremos , fica o aprendizado.
Atenciosamente,
A Direção

