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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Sapateiro: um ofício em extinção

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24/10/2017 15h04

Fonte: Redação

Amambai (MS)- Nesta quarta-feira (25) é comemorado o Dia do Sapateiro, profissional cuja função baseia-se em manusear botas, calçados, chinelos e bolsas, além de produtos de couro em geral, fabricando-os ou mesmo consertando-os.

Em Amambai, a profissão de sapateiro já teve dias melhores. Hoje, com o aparecimento de calçados quase descartáveis, a procura por esse profissional é menor que em outros tempos, quando colocar uma meia-sola num sapato era um serviço muito requisitado.

Apesar disso, há quem luta para manter-se no mercado. Para tanto, os sapateiros contam com uma clientela tradicional ou se adaptam às exigências do mercado. Albani Calneto, de 69 anos, é um desses profissionais que continuam atuando em virtude da qualidade do seu trabalho. Ele é o proprietário da Selaria e Sapataria Santos.

Albani é sapateiro há 50 anos, sendo 43 desses anos dedicados ao trabalho na cidade de Amambai. Ele conta que a profissão foi adquirida como uma espécie de herança de família, pois possuía um tio, militante da 2° Guerra Mundial, que fabricava botinas e chamava a atenção de todas as crianças da família, que se reuniam para observar o ofício do tio, isso na cidade de Loanda, no Paraná.

“Quando o tio Toninho estava fazendo as botinas, ficávamos todos em volta, olhando e especulando como ele fazia os calçados. Quando peguei certa idade, um dos meus irmãos me ajudou a fazer um cursinho de sapataria. Ele ajudou a me manter enquanto fazia o curso, até terminá-lo”, relata o sapateiro Albani.

Aos 26 anos, Albani decidiu tentar a vida em outro lugar, então alugou uma Kombi, colocou os materiais necessários e veio para Amambai, deixando esposa e filhos em Loanda, que só vieram seis meses depois, quando já havia se estabilizado.

“No início aqui era muito difícil, tínhamos que ir até Dourados para fazer uma ligação pedindo materiais (…) em uma dessas viagens o ônibus que eu viajava capotou, mas graças a Deus não aconteceu nada”, lembrou Albani.

Por se tratar de uma profissão em extinção, segundo Albani, a sapataria em si não se torna muito rentável, por isso, ele alia a fabricação de acessórios para montaria, como arreio, chicotes, além de consertos em máquinas de costuras para complementar a renda.

“Hoje é muito difícil encontrar um sapateiro esteja com os equipamentos atualizados, porque sabemos que é algo que não compensa, por isso, aos poucos os sapateiros vão ficando escassos, só ficam os teimosos como eu, os que de fato amam a profissão”, disse.

Profissão passada de pai para filha

O amor de Albani pela profissão fez com que ele passasse os aprendizados para uma das filhas, Camila Calneto, de 29 anos, que hoje trabalha com o pai no conserto de calçados.

“Eu sou a responsável pelo acabamento dos sapatos que chegam aqui…ele (Albani) faz a parte do conserto e eu finalizo”, explicou Camila.

Ela ainda conta que o que mais gosta na sua profissão é a cara de espanto que muitas pessoas fazem ao se deparar com uma mulher no ofício. “As pessoas ficam espantadas por ver uma mulher trabalhando em uma sapataria, acho que estão acostumados a ver somente homens nessa profissão e por isso o choque inicial, isso é muito legal”, disse Camila.

De acordo com Camila, ela começou a trabalhar com sapatos aos nove anos de idade, quando vinha trazer almoço para o pai e aproveitava para ficar ali na sapataria mesmo, onde aos poucos, foi aprendendo.
Para ela, a comemoração do Dia do Sapateiro, vem para reforçar a importância do profissional que é um artesão por excelência.

“É muito legal ver nossa profissão ser valorizada, ao menos um pouco, né? Porque é tão difícil nós sermos lembrados, então a gente se sente muito feliz por isso”, finalizou.

Albani e Camila amam a sapataria / Foto: Moreira Produções

A Selaria e Sapataria Santos fica localizada na avenida Pedro Manvailer / Foto: Moreira Produções

O amor de Albani pela profissão fez com que ele passasse os aprendizados para uma das filhas, Camila Calneto

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