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domingo, 29 de março de 2026

Violência obstétrica foi tema de seminário, em Amambai

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14/03/2018 14h06

O evento, promovido pela Defensoria Pública,, aconteceu no dia 9 de março, no auditório da UEMS

Fonte: Redação

Amambai (MS)- Um dia para guardar na memória e para entender o quanto é importante falar e tratar o tema Violência Obstétrica. Esse sentimento envolveu as cerca de 80 pessoas que estiveram presentes no auditório da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) de Amambai, na tarde do dia 9 de março, participando ativamente do seminário sobre Violência Obstétrica, desenvolvido pela Defensoria Pública e parceiros.

A palestrante Thaís Dominato Silva Teixeira, que é defensora pública, bacharel em direito e especialista em direito da família, explicou que a violência obstétrica trata da apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres por profissionais da saúde, por meio de tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos, impactando na sexualidade e negativamente na qualidade de vida das mulheres.

“Como defensora da mulher que sou, vejo que não dá pra negociar um direito que é meu. Se não estão adequados, os hospitais têm que buscar essa adequação porque é lei e por isso que estamos aqui hoje, para nos empoderar dessas informações e saber como fazer o uso do nosso direito.

O defensor público de Amambai, Marcelo Marinho, afirmou que a ideia da defensoria em trazer este seminário para Amambai, foi justamente munir as mulheres do município com essas informações, bem como os profissionais da saúde para que possam saber como proceder seus trabalhos.
“Lógico que casos desse tipo de violência acontecem no município, mas as mulheres antes não tinham informação e por isso não denunciavam, a partir de hoje cremos que esse quadro mude, esperamos denúncias e se for preciso entrar com ações contra hospitais, município e estado, com certeza entraremos”, disse Marcelo.

Roda de conversa: denúncia de desrespeito à cultura

Após a palestra, foi aberto espaço para debate, onde a comunidade, principalmente indígena, relatou os casos de violência obstétrica que sofrem nos Hospital Regional, onde a maioria das mulheres indígenas dá a luz.

Segundo a técnica em enfermagem e agente de saúde da Aldeia Amambai, Cleodenir Aquino, as indígenas se sentem humilhadas por não terem suas questões culturais respeitadas pelos profissionais durante seu parto.

“A mulher indígena quando vai ao hospital para ter neném sempre volta reclamando porque a enfermeira manda calar a boca e principalmente porque não respeitam nossa tradição. Nós acreditamos que não devemos lavar a cabeça no parto, mas quando a mulher indígena chega, eles mandam direto pro banho e isso dói muito, eles não respeitam a nossa crença”, denunciou.

Em contrapartida, o enfermeiro assistencialista do Hospital Regional, Wagner Sabas, afirmou que o banho ao dar entrada no hospital é protocolo e não tem nenhuma intenção de desrespeito. “Todo paciente que dá entrada no hospital é levado para o banho, não só o indígena, não é por conta de odor ou preconceito e sim, porque é exigência do estabelecimento”, afirmou.

Veja fotos do evento:

A palestrante Thaís Dominato Silva Teixeira / Foto: Moreira Produções

Defensor público, Marcelo Marinho / Foto: Moreira Produções

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