04/04/2021 07h00
Café com Poesia
Por Diobelso Teodoro de Souza
Eu viajo para conhecer
Lugares de mim.
Sou catador de gorjeios in natura:
Desprogramado para conferir
Pardaizinhos mortos nas calçadas
Da Avenida Paulista densa.
Em meu currículo
Constam aprendizados
Com os pequeninos reinos do ar.
Fui graduado
Pelas asas livres dos pardais.
Compareço a São Paulo Para Reciclagens temporárias.
A garoa rala e fria, inutilmente,
Tenta afastar a fumaça bafienta.
Os pardaizinhos brincam
Nas árvores minguadas.
Assentam alegrias soltas
Nos parapeitos das janelas embaçadas.
Os ventos tortos
Fazem confundir, no voo livre,
A fatia limpa do Céu
Com os Blindex azuis dos prédios altos.
E tombam, inutilmente,
Nas calçadas indiferentes
Da Avenida Paulista.
Zumbis, bem trajados, perfilados,
– Multiplicados nas calçadas –
Vestem os olhos com o Celular.
Não percebem nada em volta,
Quanto mais a minha agonia.
Eu não consigo ter felicidade
Na cidade de São Paulo.
Diobelso Teodoro de Souza, tem 62 anos, é médico e poeta. Além disso, tem várias premiações nacionais com crônicas e poemas e quatro livros editados. Mora em Amambai-MS


