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sábado, 8 de agosto de 2026

Os pardaizinhos mortos na Paulista e os zumbis

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04/04/2021 07h00

Café com Poesia

Por Diobelso Teodoro de Souza

Eu viajo para conhecer
Lugares de mim.

Sou catador de gorjeios in natura:
Desprogramado para conferir
Pardaizinhos mortos nas calçadas
Da Avenida Paulista densa.

Em meu currículo
Constam aprendizados
Com os pequeninos reinos do ar.
Fui graduado
Pelas asas livres dos pardais.

 Compareço a São Paulo Para Reciclagens temporárias. 

A garoa rala e fria, inutilmente,
Tenta afastar a fumaça bafienta.
Os pardaizinhos brincam
Nas árvores minguadas.

Assentam alegrias soltas
Nos parapeitos das janelas embaçadas.

Os ventos tortos
Fazem confundir, no voo livre,
A fatia limpa do Céu
Com os Blindex azuis dos prédios altos.

E tombam, inutilmente,
Nas calçadas indiferentes
Da Avenida Paulista.

Zumbis, bem trajados, perfilados,
– Multiplicados nas calçadas –
Vestem os olhos com o Celular.
Não percebem nada em volta,
Quanto mais a minha agonia.

Eu não consigo ter felicidade
Na cidade de São Paulo.

Diobelso Teodoro de Souza, tem 62 anos, é médico e poeta. Além disso, tem várias premiações nacionais com crônicas e poemas e quatro livros editados. Mora em Amambai-MS

Ilustração: Moreira Produções

Foto: Arquivo Pessoal

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