Ao menos 300 pessoas ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) invadiram na manhã desta terça-feira o pátio da superintendência regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Campo Grande. O motivo do manifesto tem a ver com as investigações que descobriram um esquema de corrupção no órgão, no ano passado. A operação policial comprometeu o projeto da reforma agrária no Estado.
Tadeu Delgado, assentado do acampamento Santa Mônica, em Sidrolândia, um dos coordenadores do protesto, disse que até a noite de hoje o movimento em frente ao Incra vai ganhar a adesão de mais 200 pessoas que habitam hoje acampamento ou assentamento.
Delgado afirmou que desde a operação do ano passado, batizada de Tellus, da Polícia Federal, o Incra não libera mais recursos para a construção de casas nos assentamento, a assistência técnica destinada às lavouras não funciona mais e não e a distribuição de lotes aos acompados foi suspensa. Na investida da PF, 18 servidores do Incra foram afastadas, incluindo o ex-superintendente do órgão, Waldir Cipriano do Nascimento, que chegou a ser preso.
O representante do MST disse que o ato de hoje atraiu famílias assentadas ou acampadas de 11 municípios. O protesto acontece no pátio do órgão. Os manifestantes seguram faixas pedindo principalmente e imediata reativação do Incra.
Veja aqui uma nota emitida pelo Incra à época da operação Tellus:
Nota de Esclarecimento
Em relação à operação da Polícia Federal denominada Tellus, que investiga fraudes em projetos de assentamento da reforma agrária no Mato Grosso do Sul (MS), a Presidência do Incra esclarece:
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O Ministério Público, a Polícia Federal e os órgãos de controle são parceiros do Incra na fiscalização das políticas públicas voltadas à reforma agrária;
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Foram exonerados, nesta segunda-feira (30/8), o superintendente regional do Incra (MS), o superintendente substituto e o chefe da Unidade Avançada de Dourados;
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A partir do dia 31/8, o servidor Manuel Furtado Neves assumirá interinamente o cargo de superintendente regional do Incra (MS);
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Foi determinada a instalação imediata de auditoria interna para apurar eventuais irregularidades na gestão do Incra (MS);
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Estão suspensos, temporariamente, o pagamento dos créditos aos assentados e todos os processos de obtenção de imóveis rurais para a reforma agrária no MS;
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Por fim, o Incra assegura a normalização no atendimento institucional da autarquia no Mato Grosso do Sul a partir desta terça-feira (31/8).
Fonte: Midiamax

