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terça-feira, 12 de maio de 2026

Justiça manda demolir hotel de luxo em área ambiental de Campos do Jordão

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O juiz Paulo de Tarso Bilard de Carvalho, da 2.ª Vara Cível de Campos do Jordão, acolheu os argumentos da ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). No processo, o promotor de Justiça Jamil Luiz Simon lista 21 irregularidades cometidas pelo empreendimento, incluindo a destruição de mata nativa, construções em áreas de topo de morro e perto de nascentes d”água, desmatamento de vegetação de Campo de Altitude inserida em área que abriga animais silvestres ameaçados de extinção e implementação de um reservatório para captação de água sem anuência do Estado.

“Esse é o maior exemplo da ilegalidade na cidade”, diz o promotor Jamil Simon. “O próprio Estado já reconheceu o erro na emissão e anulou a licença.”

Já o advogado do hotel, José Ricardo Biazzo, defende que não houve irregularidade na construção e no mês passado recorreu da sentença, com um pedido de efeito suspensivo da decisão. “Se por uma hipótese absurda houve erro, não foi dos proprietários, que não podem ser punidos com a demolição”, afirma.

Aberto há um ano, o Blue Mountain funciona normalmente, com heliponto e diárias que chegam a R$ 6 mil.

Desrespeito. Na decisão, o juiz diz que a permanência do hotel na área de preservação “significaria não só prestigiar o desrespeito ao meio ambiente, à legislação ambiental e aos jordanenses, mas também reconhecer que qualquer pessoa poderia danificar o meio ambiente se conseguisse concluir seu empreendimento antes que seus atos fossem submetidos ao controle constitucional pela Administração ou pelo Poder Judiciário”.

A atuação do Ministério Público, que propôs a ação de demolição do Blue Mountain em 2008, adiou em dois anos a inauguração do hotel, mas não conseguiu impedir o término do empreendimento, finalizado em fevereiro daquele ano. O embargo determinado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente também foi posterior à conclusão da obra.

O terreno do Blue Mountain também ocupa parte de outras duas unidades de conservação, uma delas federal – até por isso as obras necessitariam de consulta ao Ibama, que não foi feita.

Fonte: O Estadão/Fábio Mazzitelli

Foto: Gerson Monteiro/AE

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