09/09/2011 09h55 – Atualizado em 09/09/2011 09h55
Midiamax
Após o sucesso da turnê de Inclassificáveis, Ney Matogrosso volta a Campo Grande com um espetáculo mais contido, Beijo Bandido, no qual traz músicas antigas como Fascinação, Tema de Amor de Gabriela, Medo de Amar, com a mistura de canções mais recentes e uma inédita. O show acontece nesta sexta-feira (9) e sábado (10), às 21h, no teatro Palácio Popular da Cultura.
Com um repertório mais romântico e há dois anos na estrada, o novo trabalho de Ney o surpreendeu pela receptividade do público. “Vim do Inclassificáveis, que foi um enorme sucesso, e estou com esse show há mais tempo. Fico feliz de ter dado mais certo do que eu imaginava”, conta. Segundo o artista, o espetáculo é bastante teatral. “Quero que fique claro a quem está assistindo o significado de todas as palavras”, explica Ney.
Embora mais teatral, Beijo Bandido traz menos fantasias, com figurino composto apenas de um paletó. Com tantas performances, Ney não tem medo de ousar: “Não sou um cantor romântico, mas como artista eu posso fazer isso. Trabalho com muita liberdade dentro do panorama da música brasileira”.
Por outro lado, confessa que ficou com receio quando estava escolhendo as músicas para este trabalho: “Demorei para construir esse repertório, pois tinha medo de ser comparado com os grandes nomes da música brasileira que já regravaram algumas dessas músicas, então eu vi que podia dar a minha leitura, o meu ponto de vista, não ser melhor ou pior”.
Desprovido de rituais ou superstições, Ney Matogrosso diz apenas que gosta de sentir o público. “Preciso ficar 20 minutos sozinho e subir no palco antes do show. Quando você ouve a plateia antes do show, já sabe o que vai acontecer”.
É fato que Ney atravessou e conquistou gerações, e isso ele atribui à ousadia que traz em seus shows. “Acho que o que provoca isso seja a minha inquietação artística, não fico me repetindo. Eu poderia fazer um show de sucessos, mas isso não me interessa, quero sempre estar me renovando para poder me manter interessado”.
Sobre o novo disco, Ney adianta que já tem 20 músicas prontas e será algo voltado mais para o rock e menos teatral, sem fantasias, porém com roupas mais extravagantes, e com composições de artistas menos conhecidos. “Já me vi na viagem para o novo figurino e me deparei com Elvis Presley, James Jim, Marlon Brando, Marlyn Monroe”.
Homenagem
Natural de Bela Vista, interior do Mato Grosso do Sul, Ney viveu em Campo Grande dos 13 aos 17 anos. No último Festival de Inverno de Bonito, realizado de 27 a 31 de julho de 2011, quando também fez o show Beijo Bandido, o artista foi homenageado com galerias de fotos que reproduzem sua carreira. Bastante tímido, Ney diz não saber lidar com essas situações. “Eu acho estranho homenagem, fico envergonhado”.
Sonhos
Apesar dos 70 anos de idade e 40 de carreira, Ney Matogrosso não vê barreiras para sonhar e realizar, e confessa ainda ter muitos objetivos. “Ser realizado dá a ideia de uma pessoa deitada sobre louros e de que não vai para frente, e eu não estou deitado em nada. Ainda pretendo fazer muitas coisas estimulantes para a platéia e para mim também”.
Embora venha do teatro e já tenha dirigidos três peças, um dos sonhos de Ney é trabalhar com cinema, mesmo que ainda não tenha planos concretos para isso. “A música ainda não me libera para me dedicar completamente a outra arte”.
Drogas
Sobre drogas, Ney diz ter entrado e saído de tudo, e condena ditaduras que imponham as atitudes do cidadão. “Não gostaria que o Estado me falasse aonde devo ir e o que devo fazer”. Fã de Amy Winehouse, ele lamenta a morte da cantora e diz que ficou contente em saber que ela não morreu por causa de drogas. “Gosto de gente louca, que extrapola. A Amy me surpreendeu”.
Sucesso
Uma das músicas mais cantadas por Ney Matogrosso na época de Secos e Molhados, e que o consagrou, foi Rosa de Hiroshima, e apesar de ser uma canção antiga, remete a um tema muito atual. “Uma vez em Portugal vi a população cantando Rosa de Hiroshima nas ruas durante uma manifestação contra energia nuclear, eu não imaginava que essa música penetrasse tanto nas pessoas”, reflete.
Os convites custam R$ 180,00 para o setor B, R$ 150 os setores A, C e E, e R$ 80 os setores D e F. A meia-entrada será aceita somente para estes dois últimos campos, e beneficia estudantes, professores, idosos e doadores de sangue. Interessados podem adquirir o ingresso no Shopping Campo Grande, em frente a Riachuelo.

