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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Exército deflagra Operação Boiadeiro

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29/09/2011 10h07 – Atualizado em 29/09/2011 10h07

O progresso

DOURADOS – O Exercito Brasileiro deflagrou a Operação Boiadeiro nas fronteiras do Brasil com o Paraguai. São 12 novos postos de monitoramento espalhados em pontos estratégicos. A tropa deu início aos trabalhos na última terça-feira. Em Dourados, o tenente coronel André Barros, da Assessoria de Comunicação da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, explica que o objetivo é garantir a fiscalização e o controle do trânsito de gado e produtos de origem animal. A razão para a medida é o foco de febre aftosa descoberto no país vizinho. Operação do Exército conta com parceria da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal).

Barros explica que a operação é uma nova etapa da Agata II. Segundo ele, apesar do controle maior sobre o trânsito de animais, os demais crimes de fronteira estão na mira do Exército. “Tudo vai continuar sendo fiscalizado”, garante.

Assim como na Ágata II, mais de 7 mil militares participam da “Boiadeiro”. Deste grupo, 860 soldados e 130 viaturas são da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada – Brigada Guaicurús, cuja a sede fica em Dourados. Toda a operação conta com três aviões tucanos, armados com mísseis, um helicóptero e ainda um Cesna Caravan. Outra aeronave, um Bandeirantes, dá apoio ao grupo. O trabalho áereo serve como forma de monitoramento, fiscalização e controle. Na última terça-feira, o comando da 4ª Brigada realizou voos para o reconhecimento dos novos locais de monitoramento. A medida teve por objetivo verificar o apoio lojístico a tropa.

BALANÇO

Até a última terça-feira a Ágata II realizou 10.659 vistorias em veículos diversos, nove inspeções em apoio ao IBAMA, além de 59 patrulhas. Foram apreendidos três carros de passeio, quatro motocicletas, dois quilos de maconha e uma apreensão de cocaína (800 gramas).

A Operação também registrou sete casos de contrabando, 49 de descaminho, e duas autuações feitas pelo IBAMA. Uma arma de fogo, calibre 38 e nove munições foram apreendidas. Também houve uma prisão em flagrante delito e dois flagrantes de foragidos da justiça.

A ação realizou 90 atendimentos junto a população carente: 40 odontológicos e 50 médicos. Em toda a faixa de fronteira 10 quartéis continuam trabalhando 24 horas por dia, desde o início da operação.

OBSTÁCULOS

Embora mobilizado após o surto no Paraguai, o governo brasileiro sofre críticas em relação à sua atuação. O presidente do sindicato dos fiscais agropecuários (Anffa), Wilson de Sá, apontou ao site ‘Valor’ a piora nas condições de trabalho após o bloqueio do orçamento do Ministério da Agricultura. “Houve uma paralisação nos serviços e não querem admitir”, afirmou. “O deslocamento [dos fiscais] está esbarrando na falta de orçamento. O contingenciamento afetou diretamente nossas atividades. Vários colegas têm dificuldade em viajar para a região fronteiriça”, disse Sá.

Um problema para a vigilância, segundo os fiscais, é a extensão da fronteira entre Brasil e Paraguai (1.365 km) e a existência de estradas clandestinas na região. A combinação das duas características pode colocar em risco os rebanhos brasileiros, segundo a Anffa, sindicato dos fiscais de produtos de origem animal e vegetal.

Responsáveis pelo controle de produtos agropecuários, os fiscais federais afirmam trabalhar com uma estrutura “insuficiente”. Atualmente, o Ministério da Agricultura conta com 3.549 profissionais na ativa, segundo a Anffa. Pouco mais de 500 operam no serviço de vigilância agropecuária internacional (Vigiagro).

Exército deflagra Operação Boiadeiro

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