04/10/2011 14h21 – Atualizado em 04/10/2011 14h21
Brasil 247
Após chegar a cais 1,99% e operar, durante parte da manhã, abaixo dos 50 mil pontos, a Bovespa teve uma pequena reação, suficiente, porém, para subir aos 50.197 pontos, com índice de menos 1,31%. No mundo todo, a maré continua vermelha, com exceção, apenas, da bolsa eletrônica Nasdaq, que subiu, também às 13h40, 1,11%.
MANHÃ – Enquanto os “zumbis financeiros” se espalham pelos Estados Unidos, num movimento ao mesmo tempo bem humorado e assustador de solidariedade a mais de 700 pessoas acampadas perto da bolsa de valores de Nova York, num protesto até aqui sem igual à lógica do sistema econômico americano, os mercados do mundo inteiro mergulham num mar vermelho. Todas as bolsas, sem exceção, registram quedas.
O epicentro do problema, hoje, está na Europa. Às 10h30, Paris operava em – 2,92%, Frankfurt a – 3,44% e a de Madri marcava – 2,46%, contra menos 2,77% de Londres. Ocorre que os investidores parecem acreditar que o pior ainda está por chegar, com o aprofundamento de problemas entre os bancos europeus. Teme-se que um calote da Grécia, que não vem conseguindo cumprir suas metas e ficaria, assim, sem direito a uma bilionária ração de euros entre este mês de outubro e novembro, sacuda, literalmente, grande parte das casas bancárias da Europa. Elas podem ter emprestado dinheiro demais às empresas e ao governo gregos. À medida em que o país ficar sem recursos para honrar suas dívidas, os bancos teriam de ficar com o prejuízo. A dimensão do problema, em termos de quantidade de recursos que podem ser necessários para salvar o sistema, já pode ser vista por meio do até aqui inexpressivo banco Dexia, uma instituição franco-belga que precisaria, já, de nada menos que 96 bilhões de euros para não quebrar. Se é assim, e quanto aos outros, perguntam-se os investidores.
Para piorar as coisas, relatório do Deutsche Bank divulgado esta manhã afirmou que a instituição não alcançará as metas de desempenho previstas para este ano. Logo em seguida, o Goldman Sachs revisou para baixo suas previsões para a economia europeia como um todo, indicando, inclusive, recessão na França e na Alemanha. Para agravar, a Standard & Poor´s igualmente registrou que a economia da zona do euro crescerá menos do que a própria agência previra, com possibilidade de 40% de entrada de todo o bloco em recessão.
No Brasil, diante desse cenário sombrio, a Bolsa de Valores de São Paulo não tem como se isolar. Marcando menos 1,99% às 10h50, o Ibovespa rompeu, para baixo, a barreira dos 50 mil pontos, chegando a 49.792, num resultado que confirma as piores expectativas de fuga de recursos para outras praças. Os zumbis, afinal, atacaram por aqui.
Leia abaixo o noticiário de 247 sobre a pré-abertura do mercado de ações hoje:
O mercado acionário global começou a funcionar hoje com a perspectiva de mais um dia de agonia com o acúmulo de más notícias. O estado de tensão é geral. As bolsas das asiáticas sinalizaram o humor, com a Bolsa de Tóquio fechando em baixa de 1,1% e Seul perdendo mais de 3%. O sinal vermelho é uma continuidade do comportamento das bolsas ontem no Ocidente.
A Bovespa perdeu 2,9% e voltou a estacionar nos 50 mil pontos, um dado perigoso e que pode gerar novas ordens de venda para hoje. O Índice Bovespa pode adentrar no perigoso terreno dos 40 mil pontos, o que gera preocupações de uma nova etapa de ajuste de depreciação no preço das ações.
A Bolsa de Nova York fechou ontem com sinal negativo de 2,3%, acompanhando as baixas fortes da Europa. E o clima continua pesado para hoje. Depois da Ásia, as bolsas europeias abriram deslizando em gelo. Londres, há pouco, perdia 2,2%, com Paris no negativo em 2,3%. Frankfurt caía 3% e Madri perdia 2%.
O mercado está avesso a assumir riscos e busca refúgio no dólar e nos títulos do Tesouro americano. A perspectiva é ruim com a Grécia, cujo calote é cada vez uma possibilidade concreta, com sérios efeitos no balanço dos bancos europeus. As contas são várias, mas a ideia central é da necessidade de mais de um caixa de mais de 2 trilhões de euros para resolver o problema dos países e dos bancos que carregam dívidas soberanas.
Ou seja, trata-se cada vez mais de um problema político, que precisa de uma liderança forte para apontar saídas coordenadas. Até agora, isso não existe.
O presidente do Fed, Ben Bernanke, fala hoje no Congresso americano sobre as perspectivas econômicas nos EUA. Essa é a única porta de saída do mercado, hoje. A expectativa é que ele sinalize algo sobre o início de um novo pacote de alívio quantitativo, o chamado QE3, que significa injeção de liquidez no mercado.
Pode ser, mas serão promessas.

