18/10/2011 13h23 – Atualizado em 18/10/2011 13h23
Brasil 247
Os líderes de partidos da oposição no Congresso vão tentar fazer um encontro “informal” ainda hoje com o policial militar do DF João Dias Ferreira, que acusa o ministro dos Esportes, Orlando Silva, de chefiar um esquema de cobrança de propinas de ONGs contratadas pela pasta.
A oposição tenta marcar o encontro na mesma hora que o ministro estará em audiência pública de duas comissões da Câmara para se explicar sobre as acusações. A estratégia é esvaziar o depoimento de Orlando Silva, marcado a pedido dele mesmo. “Vai ser um circo armado para abafar o ministro e as acusações que sobre ele pairam. O roteiro governista é tentar desqualificar o denunciante, quando o mais adequado é ouvi-lo antes do ministro”, disse o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP).
A tentativa de fazer uma reunião “extraoficial” é para contornar o número de parlamentares da oposição no Congresso insuficiente para aprovar o convite de João Dias em alguma comissão. “O governo não tem interesse em ouvir João Dias no Congresso, por isso, a sua ida ‘extraoficialmente’ é importante para poder confrontar as explicações do ministro”, disse o líder do DEM, ACM Neto (BA).
O problema para a oposição é que o denunciante desmarcou o depoimento que havia programado para hoje, às 9h30, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele alegou motivos de saúde. João Dias é presidente de duas organizações que tinham contrato com o ministério.
Um dos pontos de discordância entre as falas do ministro e de João Dias é a data do encontro entre os dois. Em entrevista coletiva ontem, Orlando Silva disse que reuniu-se com o policial militar entre 2004 e 2005, quando era secretário-executivo do então ministro Agnello Queiroz, hoje governador do DF. João Dias afirma que o encontro aconteceu em março de 2008.
A oposição já pediu investigação sobre o caso pela Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União. Nesta terça, o PSDB pediu na Comissão de Ética da Presidência da República o afastamento de Orlando.
O DEM promete pressionar o Tribunal de Contas da União (TCU) pelos resultados das investigações de fraudes no programa Segundo Tempo. ACM Neto apresentou hoje um requerimento pedindo a agenda do ministro em 2008.

