01/11/2011 10h26 – Atualizado em 01/11/2011 10h26
Da Redação
A conveniência do Auto Posto Dakota, em Amambai, que funcionava 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, reduziu seu horário de atendimento e passa a funcionar das 6 às 24 horas, diariamente.
O motivo na redução do horário de funcionamento é a falta de segurança, tanto das pessoas que frequentam o local como dos moradores da região circunvizinha. A decisão foi da direção e gerência do estabelecimento comercial.
O local passou a ser ponto de encontro daqueles que costumam participar dos eventos sociais da cidade de Amambai, tanto antes do início dos eventos, como, principalmente, após o final da festa. O movimento foi intensificado há cerca de dois anos quando a conveniência foi reformada.
Nesse período, a polêmica em torno do Auto Posto Dakota ganhou espaço nos veículos de comunicação do município e engrossou o trabalho do Ministério Público (MP). As denúncias e reclamações existentes, relacionadas ao alto volume nos equipamentos eletrônicos, uso de drogas e algazarra em geral, vieram através do telefone 190 da Polícia Militar ou feitas diretamente ao MP.
A ação da PM
O major Valdecir Escalhar, que assumiu o comando da 3ª Companhia de Polícia Militar de Amambai, disse que já por duas vezes recebeu instruções para responder sobre perturbação da ordem no local. Ele falou ainda que mais de uma vez foi realizada ação de prevenção no local alertando os frequentadores e muitas outras foram feitas em função das reclamações. “Tudo que tem som e baderna, com prejuízo à sociedade, desenvolvemos atividades policiais”, disse o major.
Morador da região circunvizinha, o servidor público estadual aposentado, Alvir Alves dos Santos, elogiou o trabalho da Polícia Militar e reclamou da bagunça local. “Parabéns pelo serviço prestado pela Polícia junto ao Auto Posto Dakota, além de já ter mudado muito, em vista ao início do ano para cá, pois toda a noite era uma baderna generalizada, mais parecia uma zona do que um Posto de Gasolina no centro da cidade”, comentou ele em 21 de setembro deste ano no jornal eletrônico Amambai Notícias.
Alvir diz que a falta de tranquilidade ainda deixa muito a desejar. “Todas as noites, sextas, sábados e domingos, por volta das 2 horas, parece um bando de surdos ouvindo som, um mais alto do que o outro, fato que causa intriga aos moradores das proximidades, uma vergonha, tem é que fechar a venda de bebida desse local”, desabafa o servidor público estadual.
A versão da gerência
Para o gerente do Auto Posto Dakota, Paulo Rogério Fernandes, a segurança deve ser de responsabilidade do Estado. Ele afirma que nunca foi notificado oficialmente, mas que em mais de uma situação esteve no Ministério Público de Amambai explicando sobre o funcionamento da conveniência. “A gente queria que a Polícia Militar e o Ministério Público fizessem a parte deles”, diz Paulo.
“Nós não organizamos festas, nem colocamos som aqui”, argumenta o gerente. Paulo diz que foi feito muito investimento na reforma da conveniência e que a redução do horário traz prejuízos à empresa. “A gente investiu muito dinheiro, como todo comerciante investe; como as reclamações foram muitas, nossa opção foi de fechar a meia noite (…) agora é a população quem perde”, reclama ele.
O público
O empresário Rodrigo Lorenzetti, frequentador do local, também concorda que quem perde é a população. “Em Amambai não tem onde ir”, reclama Rodrigo. Ele avalia que cabe à polícia estar presente e coibir quem está bagunçando. “Acho que não fica difícil este trabalho, já que não têm outros espaços como este”, falou Rodrigo.
Assim como a conveniência do Auto Posto Dakota, outros locais tiveram que fechar ou ter seu horário de funcionamento reduzido, seja por conta da falta de educação do público, seja por falta de bom senso.
A comerciária Elisabete Dória também não gostou da redução do horário. “Amambai não tem onde ir, não pode parar na rua, não pode parar em lugar algum”, reclama ela. E finaliza: “Muitos pagam por alguns”.
A cidade de Amambai faz parte do rol de municípios do interior do país com carência de lazer e de espaços públicos. Para driblar o ócio, as turmas de amigos se concentram às vezes em locais não muito apropriados, como a rua.
Acionados pelo Ministério Público, os policiais militares acabam se indispondo com a população, principalmente a parcela jovem que gosta de estar na rua e em festas. Nem a avenida Pedro Manvailer ou outras ruas das imediações da área central da cidade foram isentas de proibições.
Para o comandante da PM de Amambai, a solução para o impasse está na consciência de todos. “Basta não invadir o espaço do outro, existem pessoas que não têm a percepção do dano que está causando a outra pessoa”, falou Escalhar.



