Uma das maiores dificuldades de quem vende doces, bolos, artesanato, personalizados ou qualquer produto feito em casa é definir o preço de venda.
Muitas pessoas acabam cobrando um valor parecido com o da concorrência ou escolhem um preço “que parece justo”. O problema é que, às vezes, esse valor não cobre nem todos os custos da produção.
Para evitar prejuízos, existe uma conta simples que pode ajudar.
Passo 1: Some tudo o que você gastou com o produto
Vamos imaginar um bolo de pote.
Anote todos os gastos diretos:
- Ingredientes: R$ 4,00
- Embalagem: R$ 1,00
- Colher descartável: R$ 0,20
Total gasto: R$ 5,20
Esses são os custos que normalmente todo mundo lembra de calcular.
Passo 2: Não esqueça dos gastos que quase ninguém coloca na conta
Além dos ingredientes, existem outros custos que fazem parte da produção, como:
- Gás;
- Energia elétrica;
- Água;
- Transporte para entregas;
- Desgaste de equipamentos;
- Produtos de limpeza utilizados na produção.
Muita gente deixa esses gastos de fora e acaba vendendo sem perceber que está diminuindo o próprio lucro.
Como fazer esse cálculo?
Não precisa ser um cálculo complicado.
Imagine que um botijão de gás custe R$ 120 e dure aproximadamente 30 fornadas.
Basta fazer a conta:
R$ 120 ÷ 30 = R$ 4,00
Isso significa que cada fornada consumiu cerca de R$ 4,00 de gás.
Se nessa fornada você produziu 20 bolos de pote, faça outra conta:
R$ 4,00 ÷ 20 = R$ 0,20
Ou seja, cada bolo teve um custo aproximado de 20 centavos de gás.
O mesmo raciocínio pode ser usado para outros custos.
Se sua conta de energia é de R$ 300 por mês e você estima que cerca de 30% dela seja usada na produção, o custo do negócio com energia será de aproximadamente R$ 90. Depois, basta dividir esse valor pela quantidade de produtos produzidos no mês.
Não é preciso chegar ao valor exato de cada centavo. O importante é não esquecer que esses gastos existem e precisam entrar na conta.
Passo 3: Valorize seu trabalho
Outro erro muito comum é esquecer de cobrar pela própria mão de obra.
Seu tempo também tem valor.
Se você passou horas preparando, embalando e organizando os pedidos, esse trabalho precisa estar incluído no preço.
No nosso exemplo, vamos acrescentar R$ 2,00 pela mão de obra.
Agora o custo total passa para:
- Custos diretos: R$ 5,20
- Custos indiretos (gás, energia e outros): R$ 1,00 (valor aproximado)
- Mão de obra: R$ 2,00
Custo total: R$ 8,20
Passo 4: Acrescente o lucro
Todo negócio precisa gerar lucro para crescer.
Se você deseja ganhar aproximadamente R$ 2,00 por unidade vendida, basta somar esse valor ao custo total:
R$ 8,20 + R$ 2,00 = R$ 10,20
Neste exemplo, o preço de venda deveria ser de, no mínimo, R$ 10,20.
Um erro muito comum
Muita gente calcula apenas os ingredientes.
Se gastou R$ 5,20, vende por R$ 6,00 ou R$ 7,00 e acredita que está lucrando.
Mas, quando considera gás, energia, água, transporte e o próprio tempo de trabalho, percebe que o lucro é muito menor do que imaginava.
Dica final
Você não precisa fazer contas difíceis nem usar programas complicados.
O mais importante é anotar seus gastos e entender quanto realmente custa produzir cada item.
Conhecer seus custos é o primeiro passo para definir um preço justo, evitar prejuízos e fazer o seu negócio crescer com segurança.
Na próxima matéria da série “Empreender com Lucro”, vamos mostrar como organizar o dinheiro do negócio sem misturar as contas da empresa com as despesas da casa.
Projeto de Extensão | Empreender com Lucro
