08/11/2011 17h35 – Atualizado em 08/11/2011 17h35
Fernanda Moreira / Da Redação
Os estudantes de Amambai, que cursam faculdades nas cidades de Dourados e Ponta Porã, enfrentam todos os dias uma maratona de quase quatro horas dentro dos ônibus para dar continuidade ao estudo e conseguir o tão sonhado diploma do curso superior. Entre as dificuldades encontradas, além da distância e cansaço, os universitários enfrentam também um problema que pode ser bastante perigoso: a falta de segurança.
O horário de chegada dos ônibus que vêm de Ponta Porã é próximo de meia-noite, já os alunos que vêm de Dourados chegam em Amambai perto de 1 hora. Alguns, que moram mais afastados do centro, podem chegar até à 1h30 em suas casas.
Falta policiamento
Para a cidade de Dourados, são 190 acadêmicos que fazem o percurso de 133 quilômetros todos os dias, inclusive aos sábados. Já para a cidade de Ponta Porã, são 98 estudantes.
O acadêmico Ricardo Azuma, que cursa o 4º semestre de fisioterapia em Dourados, diz que mesmo não descendo tão longe de casa e morando na área central da cidade, sente insegurança, pois às vezes têm pessoas com comportamento suspeito nas áreas próximas ao ponto de ônibus.
“Eu chego aproximadamente às 00h45 de Dourados, chego em casa à 00h50. Tenho um pouco de medo, pela presença de alguns indivíduos na praça ou ao redor dela naquele horário, e pela falta de policiamento no local”, diz Ricardo.
Segundo ele, a presença de um policiamento mais eficiente traria segurança para toda a população, não somente para os estudantes que chegam de madrugada de Dourados. “Com certeza, a presença da PM nas ruas no horário iria trazer não só mais segurança para os acadêmicos, mas também aos familiares dos universitários, pois muitas vezes os assaltos ocorrem próximos às residências, principalmente nos bairros mais afastados do centro da cidade”, explica Ricardo.
Periferia da cidade sofre mais
Para a estudante Simone Maria Moraes, que cursa o 3º ano de Administração na UEMS (Universidade Estadual do MS) em Ponta Porã, o problema é a distância enfrentada entre o ponto onde desce e sua residência, no Jardim Panorama.
“Chego em Amambai às 23h45, até chegar em casa que fica à 15 quadras de distância, já é mais de meia noite, é perigoso, uma vez eu fui seguida e tive que ligar pro meu cunhado”, conta Simone.
Simone diz que vê a viatura da PM fazendo a ronda, e que isso dá um pouco de tranquilidade, mas mesmo assim, nas partes mais afastadas do centro, o efetivo da polícia é pouco para atender todos os pontos.
Poucas rondas e iluminação
“Eu já vi moleques correndo pela rua, levando materiais provavelmente fruto de roubos, já vi adolescentes bêbados, muitas coisas. Graças a Deus, nunca fui abordado por nenhum assaltante, nem aconteceu nada demais, mas é perigoso; é preciso que a PM realize rondas próximas aos pontos de ônibus para melhorar nossa segurança”, são palavras de Cristian Borges Miranda, estudante do 2º ano de Geografia, na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) em Dourados.
“Nós ficamos a mercê de ser assaltados, eu chego em casa próximo de 1 hora. Quase sempre você chega cansado, querendo chegar logo em casa para dormir, e aí tem de andar bastante com aquela preocupação, principalmente quando vê alguém vindo pela rua, pois, mesmo sendo homem, eu não fico sossegado, pois nunca se sabe o que um sujeito está carregando consigo”, explica Cristian, também morador do Jardim Panorama.
Outro ponto abordado por Cristian é a má iluminação das ruas. “Muitas pessoas moram longe do centro, aí nas vilas a iluminação pública sendo falha, piora a situação de insegurança que os estudantes têm ao chegar em Amambai”, conclui o acadêmico.
PM quer requerimento das Associações
Segundo o Comandante da Polícia Militar de Amambai, Major Valdecir Escalhar, para que haja um policiamento mais efetivo próximo aos pontos de parada dos ônibus, tanto de Dourados quanto de Ponta Porã, primeiramente deve ser feito um requerimento por parte das associações estudantis, responsáveis pelo transporte dos acadêmicos.
“Nós não podemos simplesmente abandonar o policiamento em outras regiões da cidade para atender os estudantes sem que haja um pedido formal por parte das diretorias de associações, a partir desse requerimento, nós podemos mudar o itinerário das patrulhas, incluindo as paradas de ônibus para garantir a segurança dos acadêmicos”, explicou o Major Escalhar.
O comandante frisou ainda que o patrulhamento efetivo da PM tem a função de evitar situações de risco, sejam elas roubos, assaltos ou outro problema. “Nós temos o efetivo preparado para intervir em situações de crime, se não houver, continuaremos apenas com a prevenção de rotina”, finaliza o Major.

