19/11/2011 14h57 – Atualizado em 19/11/2011 14h57
Além do líder Nísio, três crianças foram levadas por pistoleiros que atacaram grupo em MS
Fonte: Neppi UCDB
Ao menos quatro indígenas foram levados pelos pistoleiros que atacaram ontem um grupo kaiowá no local conhecido como Guaiviry, no município de Aral Moreira (MS), entre Ponta Porã e Amambai. A informação foi dada por testemunhas, que prestaram depoimento ontem à noite na Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã. Além do líder Nísio Gomes, foram três menores de idade, sendo duas adolescentes e uma criança de cinco anos.
Pelo menos Nísio, segundo as testemunhas, foi alvejado por balas comuns no próprio local do ataque. Ele sangrava muito e estava desfalecido quando foi levado pelos agressores. Outros integrantes do grupo foram atingidos por projetis de borracha. A comunidade não tem noção do número exato de desaparecidos porque, diante do ataque, as pessoas se dispersaram pela mata, buscando refúgio em aldeias próximas. Entretanto, testemunhas relataram ter visto os três menores sendo levados pelos criminosos para as caminhonetes que os haviam trazido até o local.
Ontem, além da Polícia Federal, a Funai e a Força Nacional prestaram assistência no local do crime. O Ministério Público Federal manteve contato com as testemunhas do ataque na delegacia em Ponta Porã, mas o procurador local não quis adiantar detalhes sobre as medidas que serão tomadas.
Os indígenas têm esperança de que ainda possam ser encontrados sobreviventes, dentre as quatro pessoas levadas pelos pistoleiros. Mas, recentes episódios semelhantes não tiveram desfecho positivo: um adolescente desaparecido em circunstâncias semelhantes num ataque à comunidade de Mbaraka’y (município de Tacuru), em dezembro de 2009, não foi encontrado até hoje. Tampouco há notícia do professor Rolindo Vera, desaparecido após ataque em Ypo’i (município de Paranhos), em outubro de 2009.
“Vocês não deixem esse lugar. Cuidem com coragem essa terra. Essa terra é nossa. Ninguém vai tirar vocês…Cuidem bem de minha neta e de todas as crianças. Essa terra deixo na tua mão. Guaiviry já é terra Indígena”: essas foram as últimas palavras de Nísio Gomes antes de cair inconsciente, segundo divulgado hoje pelo conselho da Aty Guasu, movimento político guarani-kaiowá.
Com informações divulgadas pelo movimento Aty Guasu.

