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sábado, 25 de julho de 2026

A Escola Agrícola de Amambai

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03/03/2012 08h43 – Atualizado em 03/03/2012 08h43

  • Artigo de R. Ney Magalhães

Concretizar a instalação e funcionamento da Escola Agrícola Lino do Amaral Cardinal foi a realização de um sonho de diversos amantes desta terra. Como um dos protagonistas posso relatar os primeiros passos desse empreendimento pioneiro no Sul do Estado.

Enumerando os saudosos companheiros do Sindicato Rural Gomercindo Bonamigo, Olb Manvailer e Helio Capilé presto homenagens aos demais ruralistas pioneiros de Amambai quando junto sonhamos e incrementamos as primeiras reuniões para a concretização da instalação desse Curso Médio de Ciências Agrárias formador de Técnicos Agrícolas. E sob a direção desses Diretores Sindicais formou-se em 1975 uma Comissão auxiliar com os seguintes membros, Alfeu da Rosa Brum, Lourival Vargas Batista, R. Ney Magalhães, Ricieri Agostini, Guilherme Trento, Alcindo Franco Machado, Ari Nunes da Silva, Zenobio Neves dos Santos, e Valdi Braucks.

A carência desta mão de obra e a consequente falta de operadores de máquinas e de Tecnólogos para uso de toda a modernidade que começava a surgir no novo Brasil Rural motivou a todos nós que na época também iniciava-mos a organização do Sindicato Rural de Amambai.

Gomercindo Bonamigo apaixonou-se pela causa. Optando em adquirir uma área de 100 hectares da Fazenda Itapoty nas margens do Rio Amambai, e com a imediata doação espontânea pela proprietária Julia de Oliveira Ferreira Cardinal, e aqui mais uma vez agradecemos o apoio do procurador da proprietária, o ruralista Paulo Cardinal. Desde então muitas lutas e trabalhos foram realizados para que as obras fossem realizadas e finalizadas.

Na gestão do Prefeito Eng. Civil Geraldo Corrêa que tinha como Vice o produtor rural João Waiss, um dos pioneiros da agricultura mecanizada do MS, finalmente a estrutura física foi concretizada. Inicialmente o Educandário funcionou como escola Rural, com muitas atividades voltadas ao ensinamento de novas tecnologias agrícolas com total apoio da Prefeitura Municipal que havia criado um Departamento de Assistência Técnica aos Produtores. Com Veterinários e Agrônomos prestando apoio aos ruralistas o Município desenvolveu a Bacia leiteira, com Inseminadores e sêmen gratuitamente cedidos e cujo resultado altamente positivo hoje se observa.

A Casa do Mel nessa época também instalada na Escola, com recursos do Ministério da Agricultura e supervisão municipal desenvolveu a atividade “apícola”, motivando a futura criação da atual Cooperativa do Mel de Amambai. A piscicultura foi incentivada com a construção de açudes e distribuição de alevinos. Note-se que se Amambai hoje é autossuficiente em leite, peixes, mel, carnes de suínos etc. deve-se reverenciar aquela competente administração municipal.

Tendo como base a Escola Agrícola, tudo isso foi realizado com a competência da Prefeitura, e muito contribuiu para o atual estágio do desenvolvimento de Amambai. Algum tempo atrás, na gestão municipal imediatamente anterior à atual, o Curso de Técnico Agrícola foi finalmente efetivado com o entendimento entre a Secretaria de Educação Estadual Nilene Badeca e o Prefeito Sergio Barbosa. Algumas turmas já foram formadas e muitos desses Técnicos hoje estão em atividades nas cooperativas locais ou lojas veterinárias e em propriedades rurais, cumprindo a nobre missão de produzir alimentos com tecnologia aplicada. Com ótimos dividendos sociais e financeiros para a comunidade amambaiense.

Nos últimos tempos, com funcionamento bastante precário por exclusiva falta de interesse das atuais autoridades responsáveis, que sabidamente não tem o agronegócio como prioridade, o curso está sendo desativado.

A meta final era a formação de Técnicos Agrícolas, no entanto a instituição estava dotada para a realização de outros Cursos de difusão de tecnologia, como Tratoristas Agrícolas, Inseminadores, Dias de Campo para ruralistas etc. O potencial técnico e funcional hoje está disponível, falta apenas capacidade e vontade política/administrativa.

Ao escrever este texto, relembrando o idealismo de meus saudosos companheiros e a vontade dos políticos anteriores em promover o desenvolvimento regional eu questiono os jovens que hoje são os formadores das “forças vivas da Sociedade de Amambai”, Vereadores, dirigentes dos Clubes de Serviços-Lions, Rotary, Lojas Maçônicas, Sindicatos de Classe, Radialistas, Jornalistas e especialmente a Associação Comercial e o Sindicato Rural. Vamos assistir passivamente ao desmanche da Escola Agrícola, ou o desvio de sua finalidade principal que é formar profissionais em Ciências Agrárias? Acredito que não.

Sem encontrar nenhuma divulgação oficial, perguntando aos amigos cheguei a conclusão de que há um impasse entre a Prefeitura e o Governo do Estado, quando nenhum desses Poderes deseja assumir a responsabilidade financeira para administrar a Escola. Comenta-se também de que neste inicio de Ano não houve a instalação de uma nova Turma, o que evidencía e comprova a desativação e desmanche gradual do Curso de Técnico Agrícola.

Antes de finalizar estes comentários, encontrei no site Amambai Notícias, uma matéria expedida pela Prefeitura onde demagogicamente tenta explicar o impossível. Apesar de tudo, ainda acredito no bom senso dos senhores Vereadores conselheiros do Executivo, que podem reverter esse absurdo evitando o encerramento do Curso de Tecnicos Agricolas e o desvirtuamento das finalidades preconizadas no passado. Tudo isso, pelo desenvolvimento de Amambai.

  • Ney Magalhães foi Técnico Agrícola em 1957 e é Produtor Rural em Amambai.
    Contato: [email protected]

R. Ney Magalhães.

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