26/03/2012 09h52 – Atualizado em 26/03/2012 09h52
Fonte: O Progresso
A força-tarefa para levar água à Reserva de Dourados resultou em um plano emergencial que já está sendo colocado em prática para amenizar o sofrimento das famílias indígenas. Na última sexta-feira, representantes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e Governo do Estado fizeram uma intervenção em Dourados. O município tem recursos na ordem de R$ 880 mil de um convênio com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC/Funasa), garantidos desde 2010 e que para serem liberados precisam de autorizações, licenças e projeto da Prefeitura. O recurso disponível, há mais de um ano, serve para ampliar a rede de água na Reserva.
De acordo com o superintendente da Funasa, Pedro Teruel, a Fundação entrou em contato com a Prefeitura de Dourados, via Secretaria de Obras e se dispôs a ajudar na celeridade do processo. “Alguns documentos já foram providenciados pela Secretaria de Obras, mas ainda existem outros que precisam ser garantidos. Neste sentido vamos buscar concluir o projeto”, destaca.
Pedro Teruel diz que estes recursos não vão resolver o problema, mas já amenizam a situação. O superintendente diz que vai pedir ajuda da bancada federal de Mato Grosso do Sul para fazer a aquisição de mais recursos que podem ser viabilizados pelo PAC III.
EMERGÊNCIAS
Segundo Pedro Teruel, as equipes técnicas da Funasa, Sesai e Estado realizaram um levantamento sobre residências que enfrentam a falta de água. Uma das medidas emergenciais foi a de ativar em cerca de 20 dias um poço já existente na Aldeia Bororó, onde famílias tomam água de um riacho, conforme mostrou O PROGRESSO na semana passada.
Conforme ele, o novo poço vai produzir 26 mil litros por hora a mais naquela localidade. Em 60 dias também está prevista a ativação de um segundo poço, desta vez na Aldeia Jaguapiru. Segundo Teruel, as bombas estão compradas, bastando apenas as fabricantes fazerem a entrega.
O superintendente também defende a implantação de caixas d’água nas residências de cada família. “Enquanto não houver a ampliação completa e vazão suficiente para levar água em todas as casas, seria importante a implantação deste sistema. É uma forma de se armazenar água de forma segura”, enfatiza.
Teruel, que visitou várias famílias, constatou que as formas de armazenar a água são impróprias. “Como eles passam dias em desabastecimento acabam guardando água em baldes, cuja a exposição gera riscos de doenças”, alertou.
O superintendente também comprovou a utilização da água do riacho para consumo. “Ficamos muito preocupados com esta situação e estamos dispostos a mudar esta realidade. Estamos fazendo estas ações de emergências, mas sabemos que elas não vão resolver de vez o problema. Também estamos aguardando os trâmites para a liberação dos recursos para a ampliação da rede. Este processo é demorado e exige a união de todos”, afirma. A Funasa, segundo Pedro Teruel, está atuando neste caso nas aldeias devido a um convite do coordenador da Sesai, Nelson Olazar. No início deste ano uma portaria regulamentou que a competência para atuar nas aldeias é da Sesai.

