19/04/2012 15h27 – Atualizado em 19/04/2012 15h27
Fonte: Da Redação
Talvez para quem não viva a emoção do laço comprido, a experiência do acampamento entre os amigos laçadores e a família, para quem nunca esteve numa cozinha caipira ou sentiu a adrenalina de fazer uma laçada perfeita, seja difícil entender o porquê da paixão por esse esporte.
Porém, essas mesmas pessoas sabem que a família sempre vem em primeiro lugar. Também compreendem o valor de uma amizade. Se sabem isso, podem entender a importância do laço.
“O que mais me incentivou laçar foram meus quatro filhos que laçam comigo; são eles que me dão a força para laçar”. O testemunho é de Daniel Antunes Escobar, laçador há mais de 30 anos com seus filhos Daniel Paulo, Paulo Sérgio, Evandro e Tuti e seu neto Daniel Túlio, filho de Liege, sua filha, e de Sebastião. Sua esposa Ideé Nunes Escobar confirma: “Ele só laça se seus quatro filhos laçarem com ele”.
O laço, explica Daniel, representa a união da família e a amizade que temos. “A amizade do laço é muito grande”, diz ele. Daniel conta que “quando a gente chega numa festa e vê alguém com o laço na mão, essa pessoa já se torna um amigo”. “É uma família muito grande”, esclarece Daniel se referindo a todos os amigos laçadores que têm; amizades feitas ao longo de três décadas praticando o esporte.
O laçador Daniel Escobar, quem sabe um dos mais experientes de Amambai, diz que o laço proporciona também integração. “Não tem distinção de idade entre os laçadores, nem se é peão ou patrão; e a gente se dá muito bem com todos, homens e mulheres laçadores”, conta ele.
Sobre os dias vividos nos clubes de laço de vários Estados do Brasil e do Paraguai, Daniel considera ser muito importante o espaço da cozinha dos laçadores. “O clube que faz a cozinha para os laçadores é o que tem mais união, porque junta os laçadores e seus familiares, todos no mesmo espaço; a cozinha é um ponto de encontro”, avalia ele. Por isso mesmo, um dos seus filhos, o atual patrão do Clube de Laço União Amambaiense, Paulo Sérgio Escobar, está investindo na cozinha do clube.
A esposa de Daniel, Ideé, sabe a importância do laço para sua família. Ela sempre acompanhou o marido e os filhos nas laçadas. Ideé diz que não laça, mas Daniel desmente-a brincando: “A Ideé não laça os bois, mas me laça”.
De laçada em laçada, seja nos clubes ou em quaisquer outro momento da vida, a família Nunes Escobar vai laçando a história de Amambai e deixando um rastro de amizade por todos os recantos onde passam.


