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sábado, 25 de julho de 2026

Índios cobram compromisso do Governo

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08/05/2012 16h17 – Atualizado em 08/05/2012 16h17

Fonte: O Progresso

Indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru bloquearam na manhã de ontem a rodovia MS-156, uma das principais alternativas de ligação a Bonito e Campo Grande passando por Itaporã, Maracaju e Sidrolândia. Veículos que trafegavam no sentido Dourados/Itaporã tiveram que retornar e os que viajavam em sentido contrário foram obrigados a passar por dentro da aldeia indígena, para que pudessem sentir o mesmo drama vivido pelos índios todos os dias.

Eles cobram do Governo do Estado uma solução para o problema já que existe um termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado há cerca de um ano e meio para que a Agesul realize manutenção nas estradas pelo menos duas vezes por ano. Como até agora não houve nenhum reparo, os índios decidiram pelo protesto que começou ontem às 7h.

Tropa de Choque

Assim que os índios iniciaram o protesto um ônibus com a tropa de choque da Polícia Militar chegou ao local (rotatória da MS-156) para tentar evitar o bloqueio da pista através do diálogo. Os policiais estavam bem equipados e empregando até cães para tentar conter a manifestação. Os índios acionaram a Polícia Federal que solicitou que os policiais militares recuassem da manifestação, o que foi atendido prontamente com a tropa de choque ficando a uma distância de 250 metros do local do protesto.

Andar pelas estradas da aldeia indígena de Dourados é um desafio até mesmo para os veículos oficiais que prestam serviço da assistência à saúde, como a Sesai. Mesmo com as estradas em péssimas condições, os índios doentes são transportados para tratamento todos os dias. Demonstrando bastante revolta eles exigem uma atenção do poder público. “Existe um Termo de Ajustamento de Conduta feito com o Ministério Público Federal, e enquanto ele não é cumprido por parte do Governo do Estado a comunidade é que vem sendo prejudicada; nós fizemos de tudo para evitar que chegasse a este ponto, fomos até ao governo do Estado através da Agesul, mas eles não quiseram nos ouvir” disse Fernando Souza, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena.

Elza Neres Ortiz preside uma associação que representa as mães da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Ela apela para que o poder público tome providências com urgência para melhorar os acessos dentro da reserva. “Do jeito que estas estradas estão, fica cada vez mais difícil a gente ter que enfrentar isto todos os dias para levar nossas crianças a Apae, fica difícil para os estudantes em geral, nós também pagamos os nossos impostos e precisamos que alguém nos atenda”, disse.

Os índios bloquearam parte da rodovia utilizando trator na rotatória para que os veículos não tivessem outra alternativa, a não ser cruzar pelas estradas da aldeia. Na outra ponta, no inicio da rodovia próxima ao anel viário, uma equipe da Polícia Militar Rodoviária Estadual (PMRE) estava avisando sobre o bloqueio e permitindo passar somente os veículos que necessitavam prestar assistência à saúde indígena, além da imprensa. No início, até os órgãos de comunicação estavam proibidos de passar sendo que os próprios índios é que tomaram a iniciativa de liberar o acesso. “Sem a imprensa aqui o nosso protesto não tem sentido”, disse Fernando.

Mais tarde, a Policia Rodoviária Estadual também passou a orientar os condutores de veículos que trafegavam no sentido Itaporã/Dourados. Na rotatória em frente a Coca-Cola os condutores eram orientados a não seguir viagem.

Índios das duas aldeias se uniram em protesto às péssimas condições das estradas (Foto : Hédio Fazan/OPROGRESSO)

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