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sábado, 25 de julho de 2026

Índios fogem da chuva na Praça Coronel Valêncio de Brum

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01/06/2012 14h47 – Atualizado em 01/06/2012 14h47

  • Por Fernanda Moreira

A quinta-feira (31) amanheceu chuvosa, fria, como era de se esperar nesta época do ano. Para muitos, sair de casa de manhã para trabalhar ou estudar é difícil por conta do clima úmido. Capas de chuva, guarda-chuvas e agasalhos pesados são vistos com freqüência pelas ruas de Amambai.

Porém, no coração da cidade, na Praça Coronel Valêncio de Brum, a realidade se mostra aos olhos da sociedade. Um grupo de indígenas, em sua maioria jovens e crianças, buscam proteção contra os pingos gelados de chuva embaixo das coberturas das barracas de lanche em frente ao depósito de cargas do Expresso Queiroz.

Porque eles estão lá? Porque não estão na aldeia, em suas casas, cuidando de seus filhos pequenos e buscando viver com dignidade com seus costumes? Podem ser vários os fatores que levam os indígenas a estarem fora de seu ambiente, que seria a aldeia, e buscar a cidade como refúgio. Violência entre os próprios indivíduos, problemas com álcool e outras drogas, busca por trabalho para comprar comida. Todos os fatores citados fazem com que os índios chamados de ‘desaldeiados’ venham para a área urbana, porém, ao chegarem aqui, encontram mais violência, desrespeito, mais vícios… Tornam-se mendigos, pedintes, contentam-se com sobras e bebidas baratas. Tornam-se a sombra do que já foram.

Muitos dos indígenas vistos nesta manhã chuvosa de quinta-feira certamente já passaram de casa em casa no município, pedindo pão, dinheiro ou buscando trabalho. As crianças, muitas ainda bebês, aprendem cedo não o português ensinado na escola para escrever ou ler, mas sim, para pedir, para bater palmas em frente às casas em busca de alimento para si e para seus irmãos.

Quando nos deparamos com cenas como as vistas na praça central, de uma família procurando abrigo da chuva que tornou-se intensa, com crianças, bebês, jovens, adultos, vêm à mente o questionamento: onde estão os protetores da causa indígena? Onde está o governo com suas bolsas de assistência ao índio? Onde estão os antropólogos que juram morrer e matar por sua causa. Certamente, não estão embaixo de uma chuva fria de final de maio, não, mas provavelmente, estão tomando um café quente em suas salas aquecidas, lutando para aumentar as cifras de um valor que, certamente, não irá para o bolso daquela família indígena, pedinte que busca o conforto de uma cobertura de lanchonete.

  • Fernanda Moreira é repórter do jornal eletrônico Amambai Notícias

Índios buscam abrigo contra a chuva fria do último dia de maio. Foto: Fernanda Moreira

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