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sábado, 25 de julho de 2026

Indígenas são vítimas de golpe e pagam por empréstimos que não realizaram

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08/06/2012 09h16 – Atualizado em 08/06/2012 09h16

Raquel Fernandes / Correio do Cone Sul

“Faz quatro anos que estou pagando por um empréstimo que eu não fiz”. A reclamação é da indígena Guilhermina, de 63 anos, que todo o mês recebe a aposentadoria com 49 reais a menos, referente a um empréstimo que ela não realizou.

O caso de Guilhermina é apenas mais um de muitos que têm ocorrido na Aldeia. “Tem alguns [indígenas] que pagam seis, sete anos de empréstimo que a gente sabe”, acrescenta.

O indígena Nestor Jara conta que já realizou dois empréstimos e mesmo após quitar a sua dívida, começaram a descontar de sua aposentadoria valores de mais três quantias que ele não tinha conhecimento.

Marineide Jara, filha de Nestor, conta que está muito indignada com a situação. “A gente teve que pegar um advogado particular, porque é um absurdo o que estão cobrando. Tem empréstimo que estão cobrando de R$ 400, de R$ 1000, vários que meu pai não fez. A gente espera que ele possa receber todo esse dinheiro de volta”, comenta.

Nestor Jara conta que representantes de operadores e corretoras de créditos sempre aparecem pela Aldeia abordando os moradores para realização de contratos de crédito consignado e outras espécies, porém, muitas vezes, são vítimas de anúncios enganosos e abusivos.

“O branco chega aqui com um computador nas mãos. Tem uns que vem de fora, falam que são do Paraná. Pedem nossos documentos para fazer uma consulta, se vamos receber o beneficio e oferecem o empréstimo e falam o dia que a gente pode receber”, conta o indígena.

Marineide destaca que uma das grandes dificuldades dos indígenas é que a maioria não possui um bom domínio da língua portuguesa. “Quando eles chegam aqui, muitas vezes os índios não entendem bem como que funciona. Isso facilita para que os índios sejam enganados”

Entrada Proibida

Em março deste ano, a coordenação regional da Funai proibiu a entrada de quaisquer representantes de Operadoras ou Corretoras de Créditos nas áreas indígenas devido à grande quantidade de denuncias de fraudes que já foram protocoladas na regional.

Mas a grande reclamação dos indígenas é que não há um controle rígido para quem entra dentro das Aldeias.

Segundo o chefe do Posto da Funai de Amambai, Wiliam Rodrigues, a distância que as Aldeias ficam da Regional dificulta o atendimento aos indígenas. A coordenação Regional da Funai fica localizada em Ponta Porã, há 90 km de Amambai e está sob responsabilidade do coordenador Silvio Raimundo da Silva.

Indígenas são vítimas de golpe e pagam por empréstimos que não realizaram

Nelson, ao lado de sua filha, foi um dos lesados pela quadrilha.

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