12.5 C
Dourados
terça-feira, 12 de maio de 2026

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

- Publicidade -

22/08/2012 11h04 – Atualizado em 22/08/2012 11h04

Katiéli Duarte / Da Redação

O Brasil é um dos países que mais abriga culturas e costumes diferentes, culturas essas que são bastante valorizadas pela população. Tanto que, no dia 22 de agosto é comemorado, em território nacional, o dia do Folclore. De Norte a Sul do país, são diversas as manifestações de cultura decorrentes desta data.

A exemplo do que ocorre em todo o país, o estado do Mato Grosso do Sul também possui suas manifestações folclóricas, que têm origem na cultura boliviana e paraguaia. Entre tantas manifestações culturais como chupim, mazuca, palomita, xote e a polca paraguaia, existe um movimento em ascensão em Amambai, representado através da Festa do Toro Candil e a Sortija.

O Toro Candil e a Sortija são festas típicas das regiões onde se encontram descendentes de paraguaios e uma forma de resgatar os traços culturais e crenças mais antigas desse povo. A cidade de Amambai teve quatro edições da festa do Toro Candil e uma edição da festa da Sortija, ambas, promovidas pela Associação Cultural Amambaiense.

O Toro Candil

Apesar de ser uma festa rica em danças e brincadeiras com fogo, o Toro Candil não se caracteriza como dança nem como folguedo. É considerado uma brincadeira feita com o boi de arame, pano e a ossatura natural da cara do boi, previamente abatido para a festa. Duas tochas são acesas e colocadas nas extremidades do chifre do boi candeeiro. Durante a festa, os brincantes mascarados, que apresentam-se travestidos de forma a não ser reconhecidos, brincam entre si, mudando a voz e falando em idioma Guarani. Antes da chegada do Toro à festa, os participantes brincam de bola-ta-ta, que consiste em chutar uma bola de pano, embebida em óleo e acesa, um para o outro, até que a mesma se apague. O auge da festa se dá com a entrada do Toro Candil, que dança em meio aos brincantes, com seu chifre incandescente. Quando cansados, os participantes da brincadeira vão para o salão e dançam ao som de salsas e merengues, até o final da festa.

O resgate da festa do Toro Candil

Com a intenção de resgatar e reavivar os traços da cultura fronteiriça a AculturA (Associação Cultural Amambaiense) passou a realizar, a partir de 2008, o encontro do folclore Toro Candil.

O evento, além de apresentar a comunidade amambaiense à brincadeira do Toro Candil, serve como uma espécie de “amostra” dos projetos desenvolvidos pela AculturA como aulas de música, danças folclóricas para crianças, aulas de harpa, violão, piano, violino e violoncelo, viola caipira, aulas de artes em cerâmica e desenho artístico – modalidades culturais inseridas no projeto a menos tempo.

A Sortija

É a festa mais tradicional em Amambai, com sua origem em meados dos anos 60, onde era realizada no dia 08 de dezembro, em homenagem ao dia de “Virgem de Caacupê”, a padroeira dos povos paraguaios.

A tradição da festa da Sortija foi inserida na região de Amambai por famílias paraguaias que aqui se instalaram e começaram a propagar a devoção à La Virgen de Caacupê. Uma das famílias que mantém essa tradição há mais tempo na região é a família iniciada por João Toledo e Petrona Paula Miranda.

Todos os anos, no dia 8 de dezembro, que é o dia dedicado à Virgen de Caacupê, os membros da família, juntamente com outros descendentes de paraguaios, costumam festejar o dia todo, com o término da novena em honra a Caacupê, juntam-se ao redor da mesa farta de comidas típicas, como as famosas chipas, sopas paraguaias, bori-boris e uma diversidade de doces caseiros, produzidos pelas próprias senhoras paraguaias e trazidos aos poucos por cada família. Após o almoço, dá-se início à brincadeira da Sortija.

A brincadeira discorre da seguinte maneira: Cavaleiros disputam uma corrida em que se deve alcançar o arco enfeitado, onde se encontam as sortijas (argolas finas, em espanhol). De posse de uma vareta, com aproximadamente 50 centímetros, cada cavaleiro tenta pegar do arco o máximo de argolas possível. A cada argola conquistada, um lenço colorido é amarrado aos apetrechos do cavalo. Ao final da disputa, declarava-se vencedor o cavaleiro que possuir maior número de lenços coloridos amarrados ao arreio do cavalo.

O resgate da festa da Sortija

Em 2011 a AculturA inseriu em seu encontro do folclore Toro Candil a festa da Sortija – que a associação descreve como uma fusão de esporte com cultura. A apresentação da Sortija em meio ao encontro folclórico é uma forma de homenagear e enraizar ainda mais as culturas regionais, tão difundidas pelos antigos que aqui viveram, tendo em vista que a Sortija era realizada há muitos anos na cidade de Amambai, pelas famílias que aqui se instalaram.

Segundo Ataíde de Oliveira Manvailer, 66, que participou da apresentação da Sortija no ano passado, um dos motivos de se ter perdido o costume de festejar a Sortija foi a opressão militar sofrida nos anos 60. “Quando a cidade foi aumentando, nós mudamos o lugar da festa, passou a ser na saída para Ponta Porã, na chácara Itapoty, e só acabou próximo ao ano de 64, quando foi instaurada a ditadura e os militares não deixavam ter nenhum tipo de manifestação cultural”, conta Ataíde.

Outro motivo pelo qual a Sortija deixou de ser festejada foi o fim do ciclo da erva mate. “Quem geralmente participava da organização da festa eram os paraguaios trabalhadores de fazendas ervateiras, quando foram para outras cidades, a tradição foi se apagando até acabar”, explica Ataíde.

Festas familiares do dia “8 de dezembro” é celebrada até hoje em Amambai

Após o falecimento de Petrona e João Toledo, as filhas do casal continuaram a seguir a tradição, iniciando a novena às vésperas do dia 8 de dezembro, em suas próprias casas.

No último dia da novena, em que é comemorado o dia de Caacupê, as famílias Toledo, Miranda, Lima, Corrêa, entre outras, se reúnem para dar continuidade à tradição iniciada por seus antecessores. Na festa, comemorada todos os anos, é de costume das mulheres se reunirem ao redor do fogão, onde, cozinham as mais deliciosas comidas típicas paraguaias e assim, todos se juntam para comemorar e contribuir com o banquete da festa em família.

Ao final do almoço, a festa não acaba. Todos continuam reunidos, dançando, brincando, contando causos e tomando o típico e gelado tereré ao som de canções, que geralmente são tocadas por músicos locais e outros trazidos do Paraguai, especialmente para participarem da festa.

Além das festas tradicionais, a comunidade católica realiza a missa paraguaia, em parceria com a Associação Cultural de Amambai, onde é propagada a devoção à Virgem de Caacupê. A missa se diferencia em muito pelo fato de que são cantadas todas as musicas no idioma Guarany, idioma típico do país vizinho, ao final da missa são partilhadas comidas típicas, trazidas pelos fiéis.

AculturA passou a integrar a Rede Estadual de Pontos de Cultura, desde 2011

A Associação Cultural Amambaiense, por meio do Projeto “Pajaro Campana”, passou a integrar, desde janeiro de 2011, a Rede Estadual de Pontos de Cultura de Mato Grosso do Sul, formada por 30 pontos de Cultura espalhados em 14 municípios do Estado e na capital.

Os Pontos de Cultura são elos entre a Sociedade e o Estado, que possibilitam o desenvolvimento de ações culturais fundamentadas pelos princípios da autonomia, protagonismo, sustentabilidade e empoderamento social, integrando uma gestão compartilhada e transformadora. A ação integra o Programa Mais Cultura/Cultura Viva do Ministério da Cultura, criado pelo Decreto 6.226, de 4 de outubro de 2007

O objetivo da criação dos pontos de cultura em todo o estado é o de funcionar como um instrumento de pulsão das ações dos projetos já existentes nas comunidades. Em Amambai, são desenvolvidas onze oficinas culturais: duas oficinas de viola caipira, duas de harpa, uma de piano, três de cerâmica artística, uma de violão e duas de danças folclóricas.

A AculturA está localizada na Rua da Republica, 2083, ao lado da Tapeçaria Ferrari.

A Associação está com inscrições abertas para os cursos de arte em cerâmica, desenho artístico e harpa. Os cursos são oferecidos gratuitamente
á população. As inscrições devem ser feitas pessoalmente, no local.

Segundo a Fundesc (Fundação de Desporto e Cultura), a cidade de Amambai não tem nenhuma programação agendada em homenagem ao dia do folclore.

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

Dia do Folclore: Amambai mantém tradições culturais

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade-