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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Onda de protestos contra EUA se intensifica em países árabes

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14/09/2012 13h19 – Atualizado em 14/09/2012 13h19

Fonte: Revista Época

Nesta sexta-feira (14), a onda de protestos se intensificou em países árabes do Oriente Médio e do norte da África. Os manifestantes se revoltam contra o filme Innocence of Muslims (Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre), que, ao satirizar o profeta Maomé e o islamismo, foi considerado blasfemo pelos muçulmanos e supostamente produzido nos EUA.

Egito

Centenas de muçulmanos egípcios se reuniram na praça Tahrir, no Cairo, com cartazes e cantando palavras de ordem. “Não se pode insultar o islã. Nós, muçulmanos , estamo aqui na praça defendendo nossa religião, tanto liberais como islamitas”, disse um dos participantes, Sayed Mahgub.

Mensagens nas redes sociais advertem os estrangeiros que evitem comparecer à praça. Os próprios manifestantes pediram a turistas que se afastassem do lugar. Um grupo chegou a perseguir um jovem de aspecto ocidental que fugiu correndo para se proteger nos limites da praça.

Desde terça-feira (11), os protestos se intensificam também junto à embaixada dos EUA. Choques entre manifestantes e forças de ordem já deixaram pelo menos 250 feridos no local. Na manhã desta sexta, jovens atiraram pedras em policiais, que responderam com gás lacrimogêneo e começaram a construir uma barreira para proteger a embaixada.

As forças de segurança detiveram até o momento pelo menos 40 pessoas acusadas de atacar propriedades públicas e a embaixada dos Estados Unidos no Cairo.

Iêmen

Centenas de manifestantes iemenitas também enfrentaram a polícia em frente à embaixada dos Estados Unidos na capital Sana. O confronto aconteceu no acesso principal à legação diplomática americana, bloqueado pelas forças de segurança iemenitas, que fizeram disparos na direção dos manifestantes e usaram canhões de água para dispersá-los.

Ainda nesta sexta, a Irmandade Muçulmana iemenita organizou um protesto pacífico na praça Sitin, também em Sana. Nesta quinta (13), uma pessoa morreu e 20 ficaram feridas em incidentes nos arredores da embaixada, que chegou a ser invadida pelos manifestantes, embora estes só tenham conseguido chegar ao pátio.

Os EUA enviaram um pelotão de 50 homens da infantaria da Marinha ao país para reforçar a proteção dos diplomatas em sua embaixada, que continua cercada por 2 mil manifestantes nesta sexta-feira.

Líbano

Uma pessoa morreu e várias pessoas ficaram feridas também nesta sexta em Trípoli, no Líbano. Os manifestantes incendiaram um restaurante da rede de fast-food americana Kentucky Fried Chicken (KFC). Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano (ANN), o exército local se desdobrou na região para tentar acalmar a situação.

Segundo emissoras de televisão do país, os manifestantes tentaram atacar também a prefeitura local, embora a polícia tenha conseguido evitar. Estes incidentes em Trípoli coincidem com a visita ao Líbano do papa Bento XVI, que chegou nesta sexta a Beirute.

Sudão

Dezenas de manifestantes invadiram a embaixada do Reino Unido e da Alemanha em Cartum, capital do Sudão. Em ambos os locais, que ficam na mesma região do centro da cidade, os manifestantes pularam os muros que as cercam e chegaram às partes exteriores, sem entrar nos edifícios. Arrancaram ainda as bandeiras alemã e britânica para substituí-las por outra de cor preta com o lema “Não há outro deus se não Alá, e Maomé é seu profeta”.

Após os ataques às embaixadas, os manifestantes foram à embaixada dos EUA, localizada a cerca de 10 quilômetros de distância, no sudeste de Cartum. Lá, enfrentaram as forças de segurança, que com o uso de gás lacrimogêneo tentaram impedir que entrem na legação. Pelo menos três pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas durante os confrontos.

Mohammed Abderrahim, um dos organizadores do protesto, disse que uma das vítimas foi atropelada por um carro da oolícia, enquanto dois manifestantes morreram por disparos das forças de segurança. A testemunha afirmou que os choques continuam nas imediações da delegação diplomática, no sudeste de Cartum.

Os participantes do protesto pedem a expulsão do encarregado de negócios dos EUA e a quebra dos laços com este país.

Tunísia

O exército tunisiano abriu fogo contra os manifestantes que tentavam atacar a embaixada americana em Túnis, capital da Tunísia. As testemunhas disseram que os disparos foram realizados a partir de um tanque de guerra e que os manifestantes se refugiaram nos prédios de escritórios situados nos arredores da missão diplomática, localizada em uma zona residencial e comercial da capital.

O protesto se transformou em um confronto entre os milhares de manifestantes que tentam entrar no complexo da embaixada e as forças de segurança. Um pequeno grupo de manifestantes pulou o muro do local e arrancou a bandeira americana, levantando no lugar um estandarte negro com a profissão de fé islâmica.

É possível ver ainda uma espessa coluna de fumaça preta, procedente da zona onde se encontra o estacionamento da embaixada. Todas as ruas que conduzem à delegação americana estão fechadas, e helicópteros sobrevoam a região onde estão acontecendo os choques. Os participantes lançam pedras contra as forças de segurança, que respondem com balas e gás lacrimogêneo.

Jordânia

Milhares de pessoas protestaram nas imediações da embaixada dos EUA em Amã, assim como em outras cidades da Jordânia. Um grande número de islamitas ultraconservadores se concentrou do lado de fora de uma mesquita próxima à embaixada e culpou Washington por não tomar ações contra os produtores do filme.

“Não é aceitável o que ocorreu porque não se trata de um caso individual, mas da continuação de sistemáticas ofensas contra os muçulmanos que duraram décadas”, disse o líder Saad Hunaiti durante a manifestação. O movimento islamita Irmandade Muçulmana, principal grupo opositor jordaniano, também convocou uma manifestação que foi da Grande Mesquita de Hussein à praça de Najil.

O protesto tinha sido organizado a princípio para exigir reformas políticas e a libertação de ativistas detidos na semana passada, mas depois se transformou em um ato de condenação ao vídeo. Manifestações similares aconteceram nas cidades de Irbid, Karak e Tafileh.

O governo jordaniano enviou à empresa americana YouTube uma mensagem pedindo que retire do ar o filme chamado “A inocência dos muçulmanos”. “Ofender o profeta Maomé, o islã e as religiões representa uma violação da Constituição e das leis de todos os países do mundo, incluindo a Jordânia”, afirmou nesta sexta-feira o ministro de Informação do país, Samih Maayta, no aviso ao YouTube.

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