29/05/2013 15h13 – Atualizado em 29/05/2013 15h13
Fonte: Brasil 247
Numa quarta-feira de divulgação de indicadores ruins para a economia, mais um número chama atenção. Sobre a joia da coroa do governo Dilma, o pleno emprego, medição da Fundação Seade e do Dieese apurou uma elevação no desemprego em sete regiões pesquisadas. A taxa de 11,3% em abril, sobre 11% de março, aponta um contingente de 52 mil empregos a menos no País entre esses dois meses.
O indicador tem tudo para ter peso na reunião do Copom, em curso, que decide hoje se haverá alteração na taxa básica de juros. Com a Selic em 7,5%, os diretores do Banco Central se reuniram sob expectativas do mercado que apontam para uma elevação de até 0,5 ponto na taxa, Essa possibilidade, no entanto, parece afastada em razão da divulgação pela manhã, pelo IBGE, do crescimento do PIB: apenas 0,6% no primeiro trimestre deste ano sobre o último trimestre do ano passado.
O resultado do PIB parece indicar que a decisão de aumentar a Selic em 0,25 ponto, na última reunião do Copom, não foi acertada. No momento em que a economia começava a responder aos estímulos lançados pelo governo ao consumo e à indústria, a decisão do Banco Central agradou ao mercado financeiro, mas não transmitiu uma mensagem positiva para muitos setores produtivos do País.
Com previsões declinantes de crescimento do PIB em 2013 – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apontou hoje para 2,2% –, a presidente Dilma Rousseff, que tem se mantido ausente do debate sobre os juros, deve estar torcendo para que Copom não mexa na Selic ou, numa possibilidade difícil, promova um recuo. Um desses gestos seria a demonstração, pelo BC, de dar fôlego à política econômica para que colha os frutos de seus atos. Em coletiva, Mantega sublinhou que o investimento da indústria foi “disseminado”, o que seria uma resposta positiva aos estímulos “que estão colocados na mesa”, na expressão do ministro.
Para chegar bem a 2014, como candidata capaz de resolver a sua reeleição em primeiro turno, Dilma precisa da manutenção do regime de pleno emprego. É o que tem diferenciado o Brasil no cenário global. A compreensão do Copom do Banco Central sobre essa situação vai definir, hoje, muito do que virá pelo futuro na economia e na política.

