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domingo, 12 de abril de 2026

Preço da carne sobe 58% em 60 dias

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A alta do preço da carne bovina, que sofreu uma variação elevadíssima – de 58% – nos últimos dois meses, deverá se manter pelo menos até o final deste ano. Como, a partir de dezembro, tem início o período de férias e festas, a demanda pelo produto aumenta e, por consequência, os valores ao consumidor final não devem apresentar redução.

Qualquer possibilidade de queda, se houver, será sinalizada somente a partir do ano que vem. Mas as perspectivas para o mercado, não são animadoras. Segundo especialistas consultados pelo JC, como a majoração é influenciada por fatores que não são apenas momentâneos, mas também históricos, a tendência é que a normalização de preços demande mais tempo do que o desejado pelos consumidores e pela cadeia produtiva – com exceção dos produtores, que são os únicos beneficiados neste momento.

De acordo com o sócio-proprietário de um supermercado de Bauru, Jair Barbosa de Lima, os preços começaram a subir em setembro deste ano, época em que o quilo dos cortes mais vendidos, como a alcatra e o contra-filé, custavam, em média, R$ 12,00. Atualmente, o mesmo tipo de carne não sai por menos de R$ 18,50. Já cortes mais nobres como a picanha, por exemplo, variaram de R$ 22,00 para R$ 34,90 no estabelecimento. Em alguns supermercados da cidade, no entanto, o quilo pode ser encontrado por até R$ 49,90.

“Nós já estamos enfrentado dificuldades para encontrar algumas peças, como o noix e a própria picanha. Os frigoríficos estão abatendo muito pouco e têm que distribuir o que conseguem para um grande número de compradores. Não há carne para todo mundo”, revela Lima.

E como, a despeito da alta, a demanda interna se mantém aquecida, os preços devem permanecer em ascensão ou, no máximo, estáveis, por tempo indeterminado.

Especialistas consultados pelo JC são categóricos ao afirmar que a alta desenfreada foi provocada por uma confluência de fatores que vão desde a estiagem prolongada, que deixou o pasto seco nos últimos meses, até o abate excessivo de fêmeas de 2007 para cá, cuja repercussão está sendo observada agora. “Ao eliminar as matrizes, não houve reposição de bezerros, que teriam de estar sendo abatidos agora. É um ciclo que vai demorar de dois a três anos para se recuperar e, por esse motivo, as perspectivas são pessimistas no curto prazo”, explica Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru.

Em grande parte, o abate desenfreado de fêmeas, há três anos, foi motivado pelas desvantagens que a criação de gado apresentava na época. Como a oferta de animais era grande, o preço se tornou pouco convidativo aos produtores, que começaram a desistir do negócio e migrar para outras culturas, como o plantio de cana-de-açúcar e eucalipto.

Arroba recorde

O preço da arroba do boi gordo no Estado atingiu, na semana passada, o maior valor real já visto, segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), que levanta os preços desde 1997. Em Bauru, a maior média a prazo registrada foi de R$ 117,00, livre de impostos. Na região de Presidente Prudente, a arroba chegou a ser negociada a R$ 120,00 no último dia 9, mesmo valor atingido em São José do Rio Preto no dia 11.

Para o consumidor, esta variação de uma região para outra tem pouco significado, já que a margem de lucro dos frigoríficos e supermercados acaba sendo ajustada naturalmente pelas leis de mercado, segundo explica Sérgio de Zen, engenheiro agrônomo, mestre e doutor em economia aplicada pela Esalq-USP e coordenador das áreas de carnes e leite do Cepea.

“Nas grandes redes de supermercado, a população vai pagar o mesmo preço pago na região metropolitana. Talvez haja alguma variação em açougues, que acabam comprando em menor quantidade. As promoções também podem representar diferença de preço, porque há regiões que dispõem de maior volume de cortes específicos do que outras”, salienta.

Fonte: JCNet

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