07/07/2013 11h52 – Atualizado em 07/07/2013 11h52
Fonte: Rodrigo Costa de Souza, com edição de Viviane Viaut / Da Redação
Os moradores da vila Cristina, em Amambai, realizaram uma manifestação neste último sábado (6) com o objetivo de reivindicar melhorias para a região em que eles vivem, apontando as dificuldades pela falta de saneamento básico, infraestrutura, iluminação pública e coleta do lixo seletivo.
A manifestação, organizada pela diarista e moradora da vila Cristina, Sebastiana Medeiros de Souza, teve inicio em frente ao Restaurante Carretão, por volta das 8 horas.
As reivindicações da comunidade estão fundamentadas, principalmente, nos efeitos causados pelas condições precárias do subsolo da vila, onde o rebaixamento do lençol freático é necessário e custa caro.
Os manifestantes devido falta de sinalização fecharam a rua com automóveis, motocicletas e bicicletas pedindo ajuda a policia militar. Os moradores reclamaram da falta de apoio do Departamento Municipal de Trânsito (Detrat)que, segundo eles, firmou compromisso de garantir sinalização para o manifesto e não esteve presente.
“Nosso manifesto não tem ligação com política, eu não sou vereadora nem estou ganhando dinheiro algum para estar aqui, sou apenas uma moradora desta cidade que fui criada aqui que, cansada do descaso que nossa vila e a população que aqui vive enfrenta, decidiu lutar por nossos direitos como cidadãos amambaienses”, explica a doméstica Sebastiana.
Entre os manifestantes encontravam-se crianças, idosos e, apesar das dificuldades, cadeirantes.
A manifestação seguiu pela avenida Pedro Manvailer, escoltada por motocicletas e camburão da Policia Militar. Durante o trajeto de ida e de volta, os moradores da vila Cristina pediam a presença das autoridades e levavam cartazes reivindicando esgoto fluvial, cascalhamento das ruas, asfalto e drenagem.
“ Ação na Vila Cristina já !” , “Chega de Lama !”, gritavam.
Um povo esquecido !
A manifestação terminou na entrada da vila Cristina aonde acaba o asfalto. A reportagem esteve no local, conversando com moradores.
“Aqui é o retrato da sociedade esquecida, aqui tem asfalto, mas depois daqui não tem, só existe apenas atoleiro”,disseram alguns moradores.
Na rua Sebastião Espindola, Joel Florência conta que nestas últimas semanas chuvosas era impossível sair de casa ou andar por qualquer rua da vila, devido à lama.
“ Parecia um brejo, viramos todos sapos” afirma Joel.
Joel diz ainda que não é possível conviver com a situação que eles se encontram e que junto das enchentes e lama se misturam lixo e água das fossas, deixando a população desprotegida contra doenças.
Sebastiana destaca a necessidade da implantação de rede de esgoto e mostra uma fossa em sua casa que não foi possível cavar nem um metro que minou água.
No período chuvoso, por todos os lados, mina água que se mistura com lixo.
O cadeirante Ademir Mendonça fala da dificuldade que encontra para se locomover. “É impossível andar pela vila e sair para trabalhar com a lama que aqui se encontra, é impossível.” diz.
Alguns direitos humanos entoados pelos manifestantes:
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“Todos nascemos livres e somos iguais em dignidade e direitos.”
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“Todos temos direito à saúde e assistência médica e hospitalar.”
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“Todos temos direito de ir e vir.”
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“Todos temos o dever de lutar pela conquista e ampliação destes direitos.”
Segundo a Emenda Constitucional brasileira “Pessoas com deficiências são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, as quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”, é direito do deficiente à acessibilidade.
Valdir, que cuida de Carmelita Valiente,cadeirante, diz que é impossível andar pela vila sem asfalto. “Não é possível nem sair até para ir ao posto de saúde”,conta.
Valdir aproveita para dizer que tem lutado para receber uma cesta básica e até hoje não conseguiu. “Estive na secretaria de Assistência Social pedindo ajuda pelo fato de não poder trabalhar para cuidar da Carmelita e ainda não consegui”, cobra Vsldir.
O jovem Gilberto Manges afirma, como todos, que o principal problema do local são as ruas. “O alagamento que acontece quando chove dificulta o movimento das pessoas e cria focos de mosquitos”, reclama Gilberto.
Severiano Franco, morador da rua Boaventura, última rua da vila, diz que precisa ser feito levantamento, cascalhamento e asfalto.
“Quando chove, não tem como sair aqui”, explica Severiano.
Elza, moradora nas proximidades da EM Marlene Vilarinho Albuquerque, reclama de um barranco que está desmoronando, da falta de iluminação e da coleta de lixo.
Manifestação na segunda-feira (8)
Os moradores da vila Cristina farão manifestação em frente a prefeitura, nesta segunda-feira (8), a partir das 8h40.














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