19/07/2013 16h31 – Atualizado em 22/07/2013 18h00
Fonte: Rodrigo Costa de Souza / Da Redação
Amambai (MS) – A chuva que caiu na semana passada durante a noite de quinta-feira (18) e continuou pela madrugada de sexta-feira (19), causou transtornos na vida dos amambaienses residentes da Vila Cristina.
Segundo Jeane, da cooperativa Cooamo, choveu na região de Amambai 22 milímetros, o necessário para causar prejuízos aos moradores da vila que há tempos sofrem com a lama e problemas de locomoção, infraestrutura, saneamento básico, iluminação pública e coleta do lixo seletivo.
“Reivindicamos somente o direito de ir e vir, que é nosso direito segundo a constituição dos Direitos Humanos”, dizem os moradores.
Retrospectiva
Os moradores, que dizem estarem cansados de ser esquecidos pela sociedade, saíram em manifesto no dia 6 de julho. Na oportunidade, aproximadamente 100 pessoas, entre crianças, adolescentes, jovens e adultos solicitaram que o prefeito municipal e autoridades voltassem os olhos para região que eles vivem, uma das mais antigas vilas de Amambai. Eles pediram ainda que as autoridades dessem o seu parecer sobre a realidade que eles enfrentam.
Os manifestantes acusam o Detrat (Departamento de Trânsito) de Amambai de tratar com descaso a manifestação realizada no início deste mês, já que o órgão municipal não o cumpriu o compromisso de garantir sinalização para o manifesto. Quem garantiu a segurança na ocasião foi a Polícia Militar.
No dia 8 de julho, uma comissão de cinco moradores foi recebida pelo secretário de Administração, Odil Puques, em nome do prefeito municipal, Sérgio Diozebio Barbosa, que se encontrava em Brasília. A comissão tratou de assuntos da reivindicação drenagem, esgoto e cascalhamento.
Acompanhados por Sebastiana Medeiros, líder da manifestação, Odil Puques, Vilmar Cubas, Secretário de Serviços Urbanos, e o Secretário de Obras Públicas, Eder Espíndola, andaram pelas ruas da vila Cristina conversando com moradores.
Nessa mesma semana, vários órgãos governamentais realizaram serviços na localidade. Quem andou pela região da vila Cristina, pode ver patrolas trabalhando, caminhões catando entulhos, carros da Enersul e das secretarias da Prefeitura pelo local.
Os moradores dizem que a execução dos serviços é fruto da luta dos moradores e a Prefeitura afirma que o planejamento já havia sido feito antes mesmo do anúncio do manifesto.
Moradores reclamam do tratamento dispensado a eles pelos representantes da Prefeitura. Segundo eles, os questionamentos feitos pelos moradores eram respondidos agressivamente e com explicações vagas. Ainda de acordo com os moradores, os representantes teriam dito que “a culpa é do antigo prefeito que mandou os moradores morarem no brejo”.
Realidade hoje
Após a chuva intensa que caiu na semana passada, a situação da vila não era nada animadora.
A afirmação dos moradores é que os trabalhos de manutenção da vila só duraram a semana que a mídia estava por lá após isto não houve mais presença da prefeitura no local. Muitas das ruas onde a Prefeitura disse ter cascalhado continuava a mesma situação de lama e brejo.
Outra acusação dos moradores é que a entrada da casa de uma cadeirante que os secretários prometeram arrumar não foi nem mexida. Segundo eles, porque na casa reside a líder do movimento Sebastiana Medeiros.
Marcia Andreia da Silva Costa, que não reside no local, mas sempre está por lá devidos ter amigos na vila, diz que não houve mudança após o cascalhamento da prefeitura e que hoje ela já havia quase atolado três vezes com seu carro no local e se a chuva continuar os moradores correm o risco de ficarem novamente ilhados.
Na rua Arlindo Pinto, que passa em frente à casa da vice-presidente da vila Cristina, nem houve o recolhimento pela caçamba das galhadas e muito menos o cascalhamento; o brejo na rua é grande.
Nice, que mora na Rua Arlindo Pinto, diz que o problema dos transbordamentos de fossas continuam, por isto é possível sentir o cheiro ruim e que eles estão vulneráveis as doenças transmitidas com a junção das fezes e urinas com as águas da chuva empoçadas. Durante esta reportagem, crianças brincavam de pescaria nas poças; juntos delas havia lixo, sendo este outro problema enfrentado pelos moradores da vila que só recebem uma vez a coleta do lixo seletivo.
Em vários acessos às residências, táboas eram a passagem improvisada dos moradores para não passarem pela água empoçada.
A locomoção pela rua da Associação de Moradores é sempre um problema quando chove; os carros têm que desviar do atoleiro e não há a existência de uma calçada de acesso ao local, que abriga quadra, parquinho infantil e sede, frequentadas principalmente por crianças.
Segundo os moradores, a rua que melhor foi cascalhada e está transitável é a Sebastião Espíndola e a rua Adolfo Antunes da Rosa não é nem um pouco transitável; uma rua onde os moradores estão praticamente ilhados.
Indignados os moradores de cada uma das ruas pretendem lutar pelos seus direitos e promessas feitas a eles.











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