13/09/2013 15h01 – Atualizado em 13/09/2013 15h01
Lição de vida: “Coisa errada a gente faz, mas se não examinar os próprios atos, não vê”. (Nicanor do Amaral)
Fonte: Da Redação
Em 1913, iniciara a exploração da erva-mate na região de Amambai. Nesta época, chegaram as primeiras caravanas, algumas lideradas pelo gaúcho José Alves Cavalheiro.
Amambai nem existia ainda, nem mesmo como Nhu-Verá, como outrora era conhecida – depois Patrimônio da União, mais tarde Vila União e, então, Amambai.
Foi por conta do cultivo da erva-mate e da riqueza de suas terras que a região de Amambai foi tornando-se local de parada para as primeiras famílias que chegavam aqui para trabalhar, seja na Companhia Mate Laranjeira, que tinha permissão para explorar a indústria de erva-mate da região de Bodoquena até as margens do Rio Paraná, divisa com a Argentina e o Paraguai, ou para explorar outros ramos da economia.
Neste período, quem não tinha receio do trabalho, não faltavam oportunidades. Foi nesta época, precisamente em 15 de setembro de 1913, que nascia Nicanor Alves do Amaral. Neste tempo, profissionais de diversas áreas eram inexistentes. Ele cresceu com sob a influência do espírito desbravador de seu avô, José Alves Cavalheiro.
A família
Em 1938, Nicanor casou-se com Paulina Macena do Amaral, a dona Nena. Estiveram casados por mais de 70 anos. Segundo ele, um dos segredos para manter a união entre um casal é não brigar e, se houver briga, tentar resolver logo em seguida, nunca levar o problema para o outro dia.
Tiveram oito filhos. Os primeiros cinco morreram antes de completarem cinco anos, por conta da falta de cuidados médicos adequados para tratar das enfermidades. “Na época não tinha antibiótico”, lembra ele. A meningite e a crupe matavam muita gente. “Bateu muita desgraça nessa época”, fala Nicanor.
Adão do Amaral, Elizabete Antônia do Amaral e Edson do Amaral sobrevieram, mas em 1982 Adão foi assassinado. Viveram momentos difíceis com a perda dos filhos, mas nunca abandonaram a companhia um do outro, sofreram e batalharam juntos.
A família multiplicou. Os três filhos deram a eles 14 netos, 21 bisnetos e um tataraneto. Paulina faleceu em abril de 2011.
Edson do Amaral conta que eles sempre pregaram a união e o respeito da família e que Deus sempre estivesse presente. “Não existia quase repressão, sempre existia o diálogo”, diz Edson.
Vida pública
Tão logo alcançou a maturidade, Nicanor iniciou sua jornada como cidadão ativo na sociedade.
Foi fundador do Rotary Club de Amambai e da Sociedade Amigos de Amambai; foi também Juiz de Paz. “Muitos casamentos, seu Nicanor?” Ele diz que não e explica: “Naquela época não se casava muito”.
Na política, foi vereador, tendo sido por duas vezes presidente da câmara em Amambai.
Atividades profissionais
Nicanor teve uma vida profissional de diversidade de ocupações. Foi professor, mecânico de máquinas leves e pesadas, chaveiro, armeiro, ferreiro, como seu avô, ourives e relojoeiro. “Essas profissões eram todas entrelaçadas”, fala ele com humildade.
Mas foi como fotógrafo que Nicanor Alves do Amaral mais atuou e tornou-se conhecido e prestigiado em toda a região de Amambai. Foi o primeiro fotografo profissional da cidade.
Junto com sua esposa, dona Nena, trabalhou com fotografia por muitos anos. Foram os pioneiros com a arte de fotografar em Amambai. Desenvolviam até o processo de revelação das fotos. Ensinou a profissão para vários profissionais que até hoje atuam na área, inclusive a alguns que residem atualmente na cidade.
Fé
Católico praticante, Nicanor foi da Congregação Mariana, fundador do Apostolado da Oração, palestrista dos cursilhos de formação para casais, pais e padrinhos. Deu muitas palestras para fora de Amambai pela Igreja Católica. “Eu incentivava essas reuniões com católicos na campanha”, lembra.
A fé esteve presente em toda sua vida. Diariamente ele reza. “Ele não inicia o dia sem a oração, assim como ora no almoço e a noite reza o terço”, diz sua filha Elizabete.
100 anos
Neste 15 de setembro de 2013, Nicanor Alves do Amaral comemora seu 100º aniversário. Comemora também o fato de ter saúde física e mental.
Quando criança, ele nem pensava como seria sua vida. Depois, lembra ele, guri já grande, tinha essas ideias de chegar aos 100 anos, mas uma ideia vaga.
“O que significa fazer 100 anos?” “É uma fase da vida, é uma coisa normal”, fala ele modestamente. E pondera: “Eu estou contente, achava que a vida não ia até lá, o tempo era meio contrário a durabilidade da pessoa, mas o pensamento foi vago e eu fui indo”.
Segredo da longevidade
Despretensiosamente, Nicanor compartilha seu segredo da longevidade “Higiene em tudo na vida, tem que tomar banho, fazer a comida perfeita, não comer porcaria, não beber, não fumar (…) qualquer vício desses leva a gente para a ruína”, reflete. E prossegue: “Eu mesmo bebi, deixei quando eu vi que estava me fazendo mal, eu fumava também, deixei também”.
Exemplo de vida
Seu filho Edson diz que até hoje seu pai é seu conselheiro. “Eu agradeço a Deus por ter esse pai maravilhoso, por ter permitido que com essa idade que eu tenho ele esteja a meu lado e que até hoje eu posso aprender com ele (…) eu sou muito feliz a meu pai pelo que ele é e foi na minha vida; ele é o motivo que a gente quer que a família e os amigos para comemorar com a gente esta data”, fala Edson.
Para Elizabete, seu pai é um exemplo de fé e de dignidade. “O respeito pelo ser humano e procurar sempre ter uma vida correta foi o que ele sempre passou para nós”, diz a filha. E continua ela: “É um orgulho muito grande ter hoje meu pai fazendo 100 anos de idade”.
Família, respeito, união, fé. Para Edson e Elizabete, essa é a semente que o pai deles plantou. “Essa é a semente que colhemos, foi o que aprendemos de bom”, falam os filhos orgulhosos do pai que têm. “Se o pai é feliz em ter a gente em volta dele, nós somos mais felizes ainda”.
Lição de vida
Entre as sabedorias adquiridas em sua vida, ele avalia como uma das principais a reflexão diária dos atos. “Faço um exame na minha memória, um retrospecto de tudo que eu fiz de positivo e de negativo durante o dia e faço um balanço; assim eu controlo minha vida”.
“Acho que isso é uma coisa muito útil para a pessoa”, nos ensina Nicanor. “Coisa errada a gente faz, mas se não examinar os próprios atos, não vê”.



