05/10/2013 17h43 – Atualizado em 05/10/2013 17h43
Fonte: EFE
A escolha de Tóquio como sede dos Jogos Olímpicos de 2020 fez aumentarem as expectativas econômicas e despertou as grandes imobiliárias do país, que esfregam as mãos diante do esperado aumento do preço do metro quadrado na esquecida região da baía da cidade.
Logo após ser divulgada a decisão do Comitê Olímpico Internacional, centenas de moradores locais aproveitaram para comemorar pela cidade, enquanto outros foram até a região da baía, centro nervoso do projeto onde ficará a Vila Olímpica e a maior parte das sedes esportivas, à caça de bons investimentos imobiliários.
A sessão de portas abertas organizada pela empresa Mitsubishi Estate para mostrar seu projeto de apartamentos de luxo Parkhouse Harumi Towers, a poucos metros da futura residência dos atletas, tem registrado recorde de vendas.
Até o momento, a região da ilha de Harumi, escolhida para acolher a Vila Olímpica, não é mais do que um descampado abandonado em uma área de terrenos aterrados da baía, onde predomina a atividade portuária e industrial, e a vegetação cresce à vontade.
Lá, em um espaço de 44 hectares pertencente ao governo Metropolitano de Tóquio, será construída a residência para os atletas, com capacidade para abrigar cerca de 17 mil esportistas em prédios de projeto futurista e amplas áreas verdes.
O complexo, que para os Jogos estará perfeitamente ligado ao coração da cidade, também servirá como legado para seus cidadãos, depois que o governo anunciou que suas infraestruturas serão transformadas em casas para recuperar parte do investimento e da custosa remodelação do estuário da capital.
Ao redor da Vila Olímpica, Tóquio 2020 contará com dezenas de sedes esportivas, nove delas na região de Harumi, entre elas o estádio de vôlei e o centro para esportes aquáticos, o que disparou o preço do metro quadrado, por ser considerado como o maior projeto urbanístico na atualidade em Tóquio.
As grandes imobiliárias começaram a se movimentar semanas antes da designação da candidatura japonesa e empresas como a Daiwa House Industry adquiriram terrenos a quase o dobro do valor de mercado.
A baía abriga vastas áreas livres na ilha de Ariake, na qual o governo de Tóquio conta com cerca de 20 hectares destinados à construção de sedes temporárias para os Jogos que, após o evento, se espera sejam também leiloadas.
Atualmente, no distrito de Ariake, rodeado de shoppings, armazéns, fábricas, um estádio coberto de tênis e o recinto Tokyo Big Sight, vivem cerca de 7 mil pessoas, um número que se espera se chegue a subir para 38 mil cidadãos graças aos Jogos, segundo as estimativas da prefeitura.
Além disso, nessa área de ilhas artificiais, concretamente em Toyosu, está projetada a partir de 2015 a mudança do histórico mercado de peixe de Tsukiji, o maior do mundo e um dos principais atrativos turísticos da cidade, em um movimento que esperam que possa levantar ainda mais a região.
A expansão na produtiva baía de Tóquio terá aspectos “positivos e negativos”, destacou ao jornal um membro da associação de empresários da região, preocupado com o previsível aumento do trânsito e com o excesso de otimismo.
Enquanto isso, o que ninguém diz abertamente por enquanto é sobre a possibilidade de que, em vez de bonança, Tóquio 2020 provoque na região uma temida “bolha olímpica”, sobretudo depois das consequências devastadoras, ainda palpáveis, que a crise imobiliária provocou em Tóquio no final dos anos 1980.

