20/02/2014 18h57 – Atualizado em 20/02/2014 18h57
Por melhorias na saúde, comunidade da aldeia Amambai paralisa trânsito na MS 386
Fonte: Da Redação
Na manhã e tarde desta quinta-feira (20), um grupo de 200 indígenas moradores na aldeia Amambai interrompeu o trânsito na MS 386. No período matutino, o bloqueio foi parcial e, à tarde, entre as 13 e as 17 horas, a interrupção foi total. O movimento, comunicado às polícias militar e rodoviária na véspera, teve o objetivo de chamar a atenção das autoridades para a necessidade de investimentos na saúde indígena.
Sucateamento da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena); carência de medicamentos, uma única ambulância disponível e em estado precário, médicos e postos de saúde insuficientes – dois postos e dois médicos que atendem diariamente cada um deles cerca de 30 pessoas.
Este é o quadro da saúde na aldeia Amambai denunciado pelos manifestantes. Com uma população de cerca de 10 mil índios da etnia Guarani-Kaiowá, as lideranças afirmam que o abandono é inevitável. “Quantas idosos já morreram por falta de atendimento?”, questionam.
Agrava a situação a baixa remuneração e o atraso no pagamento dos salários dos agentes indígenas de saúde. Eles receberam em 19 de fevereiro o salário referente à janeiro. O movimento teve a adesão de parte deles, já que, por lei, o atendimento na saúde não pode ser interrompido 30% da categoria continuaram trabalhando. Foi uma ação da comunidade com os servidores da saúde.
Segundo o capitão da aldeia Amambai, Italiano Vasques, o movimento quer chamar a atenção das autoridades para a questão da saúde. Até o final da tarde, nem a Funai (Fundação Nacional do Índio) ou a Sesai haviam se manifestado. “Se não derem um retorno para nós, na próxima terça-feira toda a fronteira será fechada”, alerta Italiano.
A situação é a mesma nas demais aldeias da região sul do Estado e por isso mesmo o movimento pode ganhar força na próxima semana com paralisações nas rodovias para Cel. Sapucaia, Tacuru e Caarapó, entre outras.
Presente também estava o conselheiro representante da comunidade no Conselho Municipal de Saúde, Orivaldo Barrio. “Queremos chamar a atenção do poder público, já esperamos sentados e nada aconteceu”, diz ele.
Crianças, jovens, mulheres, homens e idosos. Índios de todas as faixas etárias aprovam o movimento. “Somos a juventude; e a juventude tem que participar, estamos nos mobilizando”, fala o professor Duadino Martines.
“Porque a gente quer remédio da Sesai, a gente quer viatura”, diz Marijara Lopes.
O servidor da Sesai que trabalha na farmácia da aldeia, Milton Nelson, confirma que os remédios que vêm ocasionalmente são insuficientes. “Sempre vem, mas é pouca coisa, não é suficiente, até o básico tá faltando (…) nem soro para hidratação”, explica Milton.
Os manifestantes reclamam também que a Sesai, além de se manifestar, desaprova quando um indígena se desloca até o órgão na cidade para solicitar o remédio que o médico diagnosticou e não tem no posto de saúde. “Se o indígena vai com a receita na Sesai, eles falam que não é para ir lá”, desabafam eles.
O motorista Ailton Aparecido Sugahara era um dos muitos, mais de 80 somente no sentido Amambai – Ponta Porã, que aguardava a liberação do trânsito. Ele acha que o grupo deveria ter feito a manifestação em outro lugar. “Toda manifestação é legítima, só a forma que não é certa, não na estrada (…) nós não temos nada a ver com assunto”, opinou Ailton.
O chefe do polo de Amambai da Sesai, José Wilson, disse que o órgão encaminhou ao Distrito de Saúde Indígena ofício informando sobre as condições das viaturas. Explicou também que foi assinada uma portaria pelo ministro da Saúde durante a 5ª Conferencia Nacional de Saúde Indígena, realizada, no mês de dezembro, em Brasília, autorizando a ampliação da lista de medicamentos. Segundo ele, os medicamentos que faltam são de especialidades. José Wilson diz também que foram adquiridas três cadeiras odontológicas e firmado convênio para manutenção dos gabinetes odontológicos existentes.








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