25/03/2014 16h24 – Atualizado em 25/03/2014 16h24
Fonte: Reuters
Líderes mundiais pediram que os países reduzam seus estoques de combustível nuclear altamente enriquecido para ajudar a impedir militantes no estilo da Al Qaeda a obter bombas atômicas.
O apelo ocorreu nesta terça-feira, ao final de uma cúpula de dois dias eclipsada pela crise na Ucrânia.
Na terceira cúpula de segurança nuclear desde 2010, líderes de 53 países – incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama – disseram ter havido muito progresso nos últimos quatro anos.
Mas também deixaram claro que muitos desafios permanecem, e ressaltaram a necessidade de maior cooperação internacional para garantir que urânio altamente enriquecido (HEU, na sigla em inglês), plutônio e outras substâncias radioativas não caiam em mãos erradas.
Os Estados Unidos e a Rússia colocaram suas diferenças sobre a Crimeia de lado para apoiar a declaração final da reunião, cujo propósito é reforçar a segurança nuclear em todo o mundo, acompanhados de potências como China, França, Alemanha e Grã-Bretanha.
“Encorajamos os Estados a minimizar seus estoques de HEU e manter suprimentos de plutônio separado em níveis mínimos, ambas medidas consistentes com requisitos nacionais”, disse o comunicado, que foi mais longe neste aspecto do que a cúpula anterior de 2012, em Seul.
A série de encontros começou em Washington em 2010, e uma quarta cúpula será realizada em Chicago em 2016.
Analistas dizem que grupos radicais poderiam, em teoria, construir uma bomba atômica rudimentar, mas mortal, se tivessem o dinheiro, o conhecimento técnico e os materiais físseis necessários.
Obter material nuclear para armamentos – HEU ou plutônio – é o maior desafio para militantes, e por isso este deve ser mantido em segurança tanto em instalações civis quanto militares, afirmaram as potências.
Referindo-se a uma iniciativa para usar urânio pouco enriquecido (LEU, na sigla em inglês) como combustível em reatores de pesquisas e de outros tipos, a declaração da cúpula afirma: “Encorajamos os Estados a continuar a minimizar o uso de HEU através da conversão de combustível de reator de HEU para LEU, quando técnica e economicamente factível”.
“Da mesma forma, continuaremos a encorajar e apoiar esforços para usar tecnologias sem HEU para a produção de rádio-isótopos, incluindo incentivos financeiros”, informou o documento.

