12/09/2014 13h55 – Atualizado em 12/09/2014 13h55
Peru decreta emergência por causa do tráfico na fronteira, o que comprova estudo do Observatório do Crack
Fonte: CNM
O aumento no tráfico de cocaína levou o Peru a decretar Estado de Emergência em uma região que faz fronteira com o Brasil e a Colômbia. Na área indicada pelo governo peruano vivem 36 mil habitantes. A emergência vai durar inicialmente 60 dias. Neste período as forças policias poderão entrar nas casas sem mandato de busca, apreender pessoas sem que haja acusação antecipada e expulsar estrangeiros ilegais.
Para as operações, a polícia peruana solicitou equipamento logístico e suporte aéreo. Haverá movimento pelo lado brasileiro da fronteira para possibilitar o trabalho dos agentes. A fronteira está localizada no Município amazonense de Tabatinga.
Desde 2012, o Peru é o maior produtor mundial de cocaína. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que esta região do país foi responsável por 6% da produção de cocaína em todo território peruano, em 2013.
Falta fiscalização e segurança
A medida tomada pelo governo peruano dá ainda mais respaldo à pesquisa do Observatório do Crack, promovida pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). A entidade constatou que as instituições responsáveis pela fiscalização e segurança na fronteira brasileira são insuficientes. De acordo com a pesquisa, postos da Polícia Federal não aparecem em nenhuma das citações dos Municípios pesquisados. Resultado revelador, pois dentre as funções desta instituição está a repressão ao tráfico de entorpecentes e o contrabando.
A conclusão é a ineficácia do Estado perante o aumento da violência o que gera ainda mais violações e impunidades. Na divulgação do estudo, no final de 2013, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destacou a necessidade de atitudes e ações de enfrentamento ao tráfico. Para ele, esta questão deve ser tratada como pauta prioritária pelo governo.
“É preciso rediscutir a situação da fronteira brasileira a partir das políticas federais para a segurança, especialmente rever o Plano Estratégico para a Fronteira e a Estratégia Nacional para as Fronteiras”, afirma Ziulkoski. A Confederação defende que a segurança nas fronteiras não pode ser desenvolvida na perspectiva da estigmatização, como se a região fosse apenas um lugar de crime ou de controle do limite geográfico.
Saiba mais sobre a pesquisa no Observatório do Crack

